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Soldado da Luz - Capitulo 4

por Silver Sky, em 27.10.13

4º Capitulo

Entrei em casa mais desequilibradamente e desorientada do que nunca. A minha bengala estava na mala. O meu pai começou logo a fazer perguntas.

- Onde estiveste?... a directora da escola telefonou-me a dizer que faltas-te as aulas. - disse ele com uma voz exageradamente preocupada, agarrando-me no braço para eu não cair.

- Senti-me mal e o Diogo levou-me a dar uma volta.

Eu não podia dizer ao meu pai que tinha sido agredida por um rapaz. Porque se o fizesse, amanha ele estaria na escola e seria a tragédia total. Seria conversa para uma semana e o tema era " a ceguinha queixinhas". Não iria suportar. Por isso decidi ficar calada.

- Quem é o Diogo? - perguntou o meu pai.

- O rapaz que conheci e de quem eu te falei ontem. - respondi.

- E agora estas bem? - o tom de voz continuava preocupado.

- Sim. Agora só quero ir para o meu quarto.

- Não queres jantar, querida?

-Não. Não tenho fome.

Ele larga-me o braço e eu dirijo-me para o meu quarto, fechando a porta. As apalpadelas pelos os moveis do quarto consigo sentar-me na cama. De seguida respiro fundo e deito para trás. Começo a pensar no Diogo, nas coisas que ele me contou a cerca da sua família, começo a pensar no dia em que eu fiquei cega. O pior dia da minha vida. Ainda conseguia ouvir o grito de desespero da minha mãe antes de morrer. O meu grito de ódio e de  fúria quando abri os olhos e não conseguia ver. Lembro-me também da voz do médico a dizer que eu estava cega e que provavelmente nunca iria voltar a ver. Quando eu dei conta já estava a chorar. Sentia as lágrimas a escorrer pela cara. Mas de imediato as limpei com a mão e fiquei silenciosamente a ouvir a minha respiração.

 

De repente alguém abre a porta.

- Olá. Posso entrar? - disse Diana.

- Sim. Mas o que estas aqui a fazer? Há algum problema?

- Posso dormir cá esta noite?

- Sim, mas porquê?

- O ambiente lá de casa está um pouco pesado. - disse ela fechando a porta e sentando-se na cama ao meu lado.

Diana era filha única e ultimamente os pais não paravam discutir. Discutiam por tudo e por nada. Até já se pensou em divorcio, mas o motivo para não haver, era Diana. Mas ela já estava farta daquilo tudo, todas as noites ela sai de casa e só regressava depois da meia noite, a hora em que os pais já estavam a dormir. Porque com aquelas discussões  todas eles acabavam por também implicarem com Diana. E ela passava-se por completo. Ela até me chegou a dizer que queria que os pais se divorciassem, porque era a única maneira deles deixarem de implicar com ela. Mas eu dizia-lhe que era só uma fase má da vida dela e que tudo isso iria passar. Eu sei que nunca fui uma boa amiga e nem uma boa conselheira. Eu também não tenho jeito para dar concelhos. Muito menos de coisas que eu nunca vivi, porque os meus pais eram muito diferentes, mas amavam-se muito e davam-se lindamente.

- Eu hoje não te vi na escola? Onde te meteste? - perguntou ela.

- Senti-me mal e fui dar uma volta com o Diogo.

Eu também não ia dizer a verdade à Diana. Conhece-la como eu conheço amanha na escola ela fazia um escândalo. Iria de imediato falar com o rapaz e provavelmente humilhava-o à frente de toda a gente. E é claro que eu não queria isso, apesar de tudo que o rapaz me fez. Não quero ser igual a ele. Não quero ser uma anormal e uma estúpida que se sente bem e feliz com o sofrimento e fraqueza dos outros.

-Hum....tu e o Diogo! - disse ela com uma voz trocista.

- Eu e o Diogo somos simplesmente amigos?

- Eu já ouvi chamar-lhe muita coisa, mas agora amizade!?

-Cala-te! E veste o pijama. - disse eu.

- Não é preciso ficares zangada. Estava só no gozo. - disse ela com uma gargalhada.

 

Eu e Diana estávamos sentadas na sala de convívio a beber um café. Diana fazia tudo para manter conversa. Eu simplesmente ouvia-a e limitava-me a rir das coisas que ela dizia. Todos os dias ela tinha novidades para partilhar comigo. O que era bastante frustrante, é que eu não tinha nada para partilhar com ela.  Só a coisa que ela já sabia, que eu era cega. Mas mesmo assim, Diana era uma boa amiga e não se importava de falar por mim.

- Então, já tiveste teste com o professor Daniel ? - perguntou ela.

- Sim. Tive suficiente mais.

- Boa! Parabéns! Fico muito contente por ti, amiga. - disse com uma voz alegre e sorridente. - Normalmente o professor Daniel não dá positivas.

- Tive sorte. Só isso.

De repente Diana começa-se a rir.

- O que foi? - perguntei eu com curiosidade.

- Diogo à vista. Ele está a vir para aqui. - disse ela a rir.

- Pára de rir. - disse eu nervosa.

- Está bem, está bem... - disse ela.

- Olá. - disse Diogo com a mesma voz doce e encantadora.

- Olá. - dissemos ao mesmo tempo.

- Bem... eu vou ter com Nuno. - disse Diana, indo-se embora.

Nuno Neves era o namorado de Diana. Andava no décimo segundo ano e por coincidência ele era da mesma turma que Diogo. Espectáculo! Nem sei como Diana não falou sobre isso. Devia se ter esquecido.

-O que queres? - perguntei.

- Queria só saber se tiveste algum problema com o teu pai...por ontem teres faltado às aulas.

- Não. Não tive problema nenhum com o meu pai. Disse-lhe que me tinha-me sentido mal e foi dar uma volta.

- Ainda bem. - disse ele com uma voz de alivio.

De seguida  sinto o seu perfume e calor mais perto de mim. Ele tinha-se sentado ao meu lado. A mesma sensação de o abraçar invadiu-me de novo. Eu estava completamente apaixonada por  ele. Mas eu nunca iria ter coragem  de me declarar a ele. Tinha medo de ser rejeitada. Diogo era  um rapaz muito bonito com uma voz encantadora, ele nunca iria se interessar por uma cega.

- O que estas a pensar fazer hoje? - perguntou ele.

- Eu hoje vou ao cemitério visitar a minha mãe. - respondi-lhe, respirando fundo.

- Hum...

- Queres vir comigo? - perguntei-lhe com medo. Eu nunca tinha convidado nenhum rapaz para sair, eram sempre eles que me convidavam. Era a primeira vez. E se ele disse-se que não!? Eu acho que morria. Mas pensa positivo Gabriela. Pensa...

- Ao cemitério? - perguntou ele.

Com aquela pergunta pensei de imediato que a resposta era não. Era obvio que ele ia dizer que não. Também qual era o rapaz que ia aceitar  um convite para passear no cemitério. Só se fosse maluco.

- Ok... tudo bem...eu vou. - acabou por responder.

Com aquela resposta eu respirei de alivio. Não acredito que ele aceitou sair comigo, ainda por cima íamos visitar o cemitério. Estava comprovado ele era maluco!

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publicado às 12:19


4 comentários

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De dulcinea a 27.10.2013 às 15:56

deverias dizer "onde estiveste?" e "faltaste às aulas"
estives-te e faltas-te não é português
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De Silver Sky a 28.10.2013 às 12:38

obrigado pela correcção...nunca fui muito boa a português, eu escrevo porque gosto e é uma forma de desabafar e esquecer um pouco a realidade. Escrevo por divertimento, mas obrigada na mesa...e espero que tenhas gostado...
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De twilight_pr a 28.10.2013 às 21:18

Ai eu quero saber mais!
Estou mesmo nervosa para saber mais!
QUERO MAIS!
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De Maятa a 31.10.2013 às 19:03

O Diogo é tão fofo! Espero pelo próximo! :)

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