Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


Parassómnia - Capítulo 14

por Silver Sky, em 29.03.17

 cliquem :)

Capítulo 14

Ema acordou no sofá. A sala de estar estava submersa na escuridão.

Junto à janela encontrava-se o Dinis a olhar para o céu estrelado com uma expressão serena.

-Onde está o Gaspar? – perguntou Ema, endireitando-se do sofá.

Dinis virou-se para a encarar.

-Ele já se foi embora.

-E tu porquê é que ficaste? – perguntou Ema, olhando confusa para o amigo.

-Queria ter a certeza que ficavas bem. – respondeu Dinis, sorrindo e sentando-se depois no sofá ao lado de Ema.

Ema sem conseguir evitar olhou para as marcas arroxeadas que Dinis tinha no pescoço. Ao vê-las sentiu um aperto no coração. Sentiu nojo e raiva dela própria. Como ela poderia ter feito aquilo ao seu amigo?

-Dinis…desculpa por te ter magoado. – disse depois Ema com um sentimento cheio de culpa.

-Ema, já te disse que não faz mal. Eu estou bem. – respondeu Dinis, olhando para ela.

-Claro que faz mal! – disse rapidamente com um ar furioso. – Eu poderia ter-te matado, Dinis!

-Mas não o fizeste, Ema! Por isso para pensar nisso.

-Não consigo. – disse Ema, abanando a cabeça angustiada. – Por isso, acho que é melhor afastarmo-nos. Deixarmo-nos de ver. É o melhor para ti. – Ema acabou por olhar, tristemente para Dinis.

-Queres que deixemos ser amigos? – perguntou Dinis com uma expressão séria e também triste enquanto olhava para ela.

-Se não fores mais meu amigo, ficas seguro, Dinis!

-Eu, não me vou afastar de ti, Ema. Eu confio em ti! – Dinis impulsivamente agarrou na mão de Ema. – Eu sei que para a próxima vais conseguir controlar-te.

Ema limitou-se a olhar para ele com uma expressão fechada e angustiada enquanto ele lhe exibiu um sorriso simpático.

 

XXX

 

Gaspar prendia os pulsos de Ema com fita adesiva.

-Isto é mesmo necessário? – perguntou-lhe Ema, nervosa com o novo plano de Gaspar para a fazer completar a transformação.

-Confias em mim? – perguntou a seguir Gaspar com um sorriso.

-Não! – respondeu rapidamente Ema. – Da última vez que confiei, tu fechaste-me dentro roupeiro. Lembras-te?

Gaspar sorriu divertido.

-Pensei que isso já fosse águas passadas.

Entretanto, Dinis apareceu na sala de estar completamente equipado com um capacete na cabeça, joelheiras, braçadeiras e um taco de basebol num das mãos.

Gaspar e Ema olharam para ele confusos.

-Para quê é isso? – perguntou a seguir Ema.

-Desta vez prefiro não arriscar. – respondeu Dinis.

-Mas, pensei que confiasses em mim. – disse depois Ema enrugando a testa confusa.

-E, confio. Mas assim fico mais descansado. E nunca ouviste o ditado? Mais vale prevenir do que remediar!

Gaspar riu-se e terminou de prender os pulsos de Ema.

-Prontinho. Podemos começar. – falou a seguir Gaspar.

-O que vai ser desta vez? Vais deita-la a uma piscina com a mãos e pés amarrados e vamos vê-la afogar-se lentamente? – perguntou Dinis num tom irónico.

Gaspar limitou-se a retribuir-lhe um sorriso divertido e respondeu-lhe depois:

-Essa é uma ideia bastante boa, mas tenho outra coisa em mente.

-Qual? – perguntou Dinis ansioso e nervoso.

Gaspar ignorou a pergunta de Dinis e colocou-se de frente para a Ema que se encontrava de pé.

-Desde que eu não volte a ficar trancada no roupeiro, por mim tanto faz. – disse depois Ema.

Gaspar sorriu e soqueia depois Ema bem na barriga, que caia de joelhos, sentindo uma enorme dor a atingi-la no estômago.

-Oh boa! – disse rapidamente Dinis nervoso. – É essa a tua brilhante ideia? Espancar uma rapariga indefesa com os pulsos presos com fita adesiva até à morte?

- A Ema, de rapariga indefesa não tem nada. – respondeu Gaspar, com um sorriso divertido, olhando para Dinis.

A dor no estômago finalmente desapareceu e Ema conseguiu respirar de alívio. Mas Gaspar não ia terminar por ali. Sem qualquer aviso prévio soqueia a cara de Ema, virando-lhe a cara para o lado.

Dinis engoliu em seco com a vontade de soltar Ema e fazer Gaspar parar. Mas ele sabia que Ema não queria que ele fizesse isso. Gaspar estava só a tentar ajudar, mesmo que os seus métodos de ensino não fossem os mais seguros e normais.

Sangue apareceu na boca de Ema e ela deixou depois a cabeça cair para baixo. Começava a sentir uma dor e um calor enorme a invadir o seu corpo. O coração tinha começado a bater mais depressa, era como se conseguisse ouvir o sangue a circular depressa nas suas próprias veias. Sentia um frenesim dentro dela, como se algo estivesse ansioso para se libertar.

Gaspar cautelosamente aproximou-se mais de Ema e baixou a cabeça, até ficar à altura da cabeça dela, sussurrando-lhe depois ao ouvido com uma voz sombria e ameaçadora

-O alpha vai-te encontrar, vai-te matar e depois quando tiver acabado contigo...vai atrás do Dinis e acredita em mim… vai-lhe rasgar a garganta e vai-lhe arrancar a cabeça e tu não vais poder fazer nada para o impedir, porque já não estás aqui!

Ema ao ouvir aquelas palavras sentiu uma incontrolável raiva a ponderar-se de si. A envolve-la como um manto. E todos os seus instintos de animal vieram ao de cima e o animal finalmente se libertou. Ema levantou a cabeça e os seus olhos tinham um brilho vermelho sombrio. Gaspar dá automaticamente um passo para trás e Dinis faz involuntariamente o mesmo, agarrando fortemente o taco de basebol contra o seu peito. A seguir Ema libertou-se da fita adesiva que prendia os seus pulsos e tornozelos e levantou-se lentamente, olhando fixamente para Gaspar e Dinis. As feições do seu rosto eram animalescas e demoníacas. Os seus dentes estavam enormes e as suas tinham-se transformado em normas garras. O seu olhar era de pura raiva e ameaçador.

-Ainda achas que ela é uma rapariga inofensiva? – disse Gaspar sarcasticamente, olhando para Dinis.

Ema soltou a seguir um rugido e avançou em direção de Gaspar, agarrando-o pelo pescoço e atirando-o violentamente contra o sofá. Depois ela virou-se automaticamente para Dinis.

-Por favor, Ema, não me faças usar isto! – disse Dinis assustado, estendendo o taco de basebol, de forma a colocar o taco no espaço vazio entre ele e ela.

Ema ignorou Dinis e com um simples movimento das suas garras tirou o taco de basebol das mãos dele, atirando-o para o chão.

Dinis aterrorizado recuou automaticamente um passo para trás.

Ema deu um passo em frente na direção dele. Os seus olhos vermelhos brilhantes estavam mais intensos e mais enraivecidos. Ela a seguir abriu a boca pronta para o atacar.

Mas Dinis gritou desesperado, encolhendo-se:

-EMA!

A voz de Dinis atingiu Ema como um choque elétrico, fazendo-a despertar. De repente a cor dos olhos de Ema voltaram ao normal. Um castanho escuro. As garras também desapareceram e os dentes voltaram ao tamanho normal. O seu rosto perdeu as feições animalescas e Ema era novamente ela.

Dinis respirou de alívio e abraçou-a com um sorriso.

-Conseguiste! Eu, sabia conseguias! – disse depois ele excitadíssimo e orgulhoso.

-Sim, consegui. – disse Ema, ainda com dificuldades de acreditar que tinha conseguido controlar a sua transformação.

-Eu, sempre acreditei em ti, priminha. – disse a seguir Gaspar, aproximando-se dos dois com um sorriso rasgado.

 

XXX

 

 Depois de tomar um banho, Ema encontrava-se no quarto a olhar-se ao espelho com uma expressão pensativa e séria, quando Gaspar entrou no quarto.

-O Dinis já foi embora, mas ele disse que ainda volta esta noite. – falou Gaspar, aproximando-se de Ema. – Como te sentes?

-Bem. – respondeu Ema, acabando de secar o cabelo com a toalha e atirando-a depois para cima da cama.

-Hoje estiveste muito bem. Estas no bom caminho. Não tarda nada e já vais conseguir completar a transformação. – disse Gaspar, sorrindo para ela.

-E tornar-me num lobo demónio. – disse Ema com um olhar triste.

-Não necessariamente. Podes completar a transformação sem te transformares num lobo demónio.

-Como assim? – perguntou rapidamente Ema curiosa com um pequeno sentimento de esperança a aparecer dentro do seu coração.

-Só aqueles que são cruéis e tem um coração mau é que se transformam em lobos demónios quando completam a transformação. Mas eu sei e acredito que o teu coração é bom, puro e cheio de bondade, priminha. – respondeu Gaspar, apontando para o peito de Ema.

-Bom, sendo assim sinto-me um pouquinho melhor…mais otimista. – disse por fim Ema com um meio sorriso.

-Mas, Ema, tenho uma coisa que te quero perguntar. – disse depois Gaspar com uma pequena faísca de curiosidade a aparecer no olhar.

-O quê?

-Como conseguiste voltar ao normal?

-Foi a voz de Dinis. Lembrei-me como ele me fazia rir…como ele me fazia feliz. Como me fazia sentir humana. – sem se perceber, Ema deixa escapar um sorriso feliz.

-Tu gostas dele? – perguntou rapidamente Gaspar.

Ema ao ouvir aquela pergunta o seu corpo congelou e o seu coração disparou.

-Não. Ele é o meu melhor amigo!

-Sabes, priminha, as maiores histórias de amor, nasceram a partir de grandes. E, sem dares por isso, num piscar de olho a amizade transforma-se em amor e acabas por te apaixonar. – disse a seguir Gaspar com um sorriso divertido.

Ema engoliu em seco.

desculpem pelo atraso. Não deu para rever o capítulo por isso sorry :/. Espero que gostem do capítulo. Neste capítulo deu para ver mais um poquinho do treino de Ema para completar a transformação e também mostrou um pouco da relação de Ema e Dinis.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:53


2 comentários

Imagem de perfil

De twilight_pr a 30.03.2017 às 13:50

Já deixei de pensar de novo que o Gaspar é realmente mau, mas agora não faço ideia sobre o que achar do Dr. ...
Mas mesmo assim, acho que foi uma boa jogada o que ele fez, para conseguir que ela fizesse a transformação, especialmente a parte de falar do Dinis, isso foi realmente fantástico!
E confesso que os quero ver juntos, já se percebeu que ela gosta dela - acho que não acabaria por parar a transformação se não gostasse dele por muito que acabasse por ouvir a voz dele...
Estou ansiosa para ler mais :D

Beijinhos grandes ^^
Imagem de perfil

De Silver Sky a 31.03.2017 às 00:28

Olá minha querida. É muito bom ler os teus comentarios. E fico feliz que estejas a gostar... O proximo cap. Vai ter alguma açao bjs

Comentar post