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PARASSÓMNIA "Capítulo 3"

por Silver Sky, em 11.01.17

twenty one pilots -> cliquem aqui para ouvir a música, enquanto lêem o capítulo.

 

Capítulo 3

Ema entrou em casa.

Instalado no sofá encontrava-se Dinis.

-Como, entraste na minha casa? – perguntou Ema, olhando confusa para ele.

-Tenho uma cópia da chave de casa. Tu deste-me ano passado, lembras-te?– respondeu Dinis, sorrindo para Ema.

-Oh, sim, claro. – disse Ema aluada.

-Podíamos jantar e acabar de ver o filme da outra noite.

Dinis sorriu para Ema.

-Está bem. Vou só a casa de banho.

 

Ema puxou o autoclismo e lavou as mãos no lavatório.

Quando olhou para o espelho, reparou num brilho vermelho nos olhos. Fechou rapidamente os olhos  e voltou abri-los. Estavam normais.

Olha depois para as mãos e estas estavam cobertas de sangue.

Desesperada, Ema começou a lavar novamente as mãos. Mas de repente as mãos estavam limpas sem nenhum vestígio de sangue.

- Estou a enlouquecer.

Ema entrou na sala desnorteada e agarrou na primeira coisa que encontra. Um Jornal.

-Jornal de Notícias. – leu Ema num murmúrio, respirando depois de alívio.

-Ema, está tudo bem?

Dinis olhou para ela confuso e preocupado.

-Pensei que estava a sonhar. Mas isto é real.

XXX

-Hoje nada de sonhos? – perguntou Dr. Baltasar, olhando para Ema.

-Não.

-E hoje queres falar sobre o quê, Ema?

-Bem… - Ema fez uma pequena pausa. – Ontem aconteceu uma coisa estranha.

-Estou a ouvir. – disse o Dr. Baltasar, prestando mais atenção a Ema.

Ema respirou fundo.

-Ontem quando estava a lavar as mãos, olhei-me ao espelho e os meus olhos tinham um brilho vermelho.

-Pode ter sido impressão tua, Ema. O reflexo da luz.

-Sabia que ia dizer isso. Mas a seguir olhei para as minhas mãos e elas estavam cobertas de sangue. Foi estranho. Foi como se eu estivesse a sonhar. – respondeu rapidamente Ema, mostrando algum nervosismo.

-E como sabias que não estavas a sonhar? – perguntou Dr. Baltasar curioso.

-Porque, consegui ler as palavras de um jornal e nos sonhos não se consegue ler.

-Muito inteligente da tua parte teres pensado nisso. – falou Dr. Baltasar com uma expressão pensativa.

-E se voltar a acontecer? E se eu voltar a ver coisas que não existem? – perguntou Ema com uma expressão apavorada no rosto.

-Privatização do sono faz as pessoas terem alucinações e tu, Ema, precisas de dormir.

XXX

Dinis colocou em cima da mesa uma pilha de revistas, uma caixa de red bull, alguns pacotes de batatas fritas e duas sandes.

-Assaltas-te algum super-mercado e uma livraria a vinda para aqui? – perguntou Ema, olhando confusa para Dinis.

-Temos o necessário para ficarmos acordados durante a noite toda. – respondeu Dinis, orgulhoso de si mesmo. – Todos os tipos de jogos de letras, rede bull e comida.

-O Dr. Baltasar disse que eu preciso de dormir.

-Oh! – Dinis exibiu uma expressão desanimada. – Sendo assim vou embora.

-Podes ficar e ajudar-me a adormecer. Se quiseres, é claro. – disse a seguir Ema um pouco nervosa.

-Sim, claro que fico. – disse Dinis, sorrindo. – Eu sei alguns truques para adormecer.

-Mas provavelmente é melhor eu ir fazer um chá. – disse Ema, olhando para a caixa de red bull.

-Sim, é melhor. – disse Dinis sorrindo, olhando também para caixa de red bull.

Depois de preparar duas taças de chã, Ema e Dinis instalaram-se no sofá e enquanto viam televisão comiam a comida que Dinis tinha trazido.

-Como estão a correr a consultas com o Dr. Baltasar?

-Estão a correr bem. Ele está a ajudar-me com o meu “interior danificado”. – respondeu Ema imitando duas aspas com os dedos.

-“Interior danificado”? – perguntou Dinis  com uma expressão confusa no olhar.

Ema ficou quieta e em silêncio a olhar para ele.

-Oh, desculpa! – disse rapidamente Dinis atrapalhado. – Não tens que explicar.

Dinis nervoso começou a comer descontroladamente batatas fritas.

-O Dr. Baltasar pensa que as discussões que os meus pais tiveram quando eu era criança, afetaram o meu desenvolvimento efetivo, tornando-me numa pessoa fechada, isolada, insegura, introvertida…incapaz de deixar alguém gostar de mim.

-Isso é mentira! Eu gosto de ti!

Dinis agarrou automaticamente na mão de Ema. Por breves segundos os seus olhares cruzaram-se, mas repentinamente eles afastaram as mãos, ficando no ar um clima estranho e embaraçoso.

-Bem, podes-me ensinar os truques para adormecer? – perguntou Ema, tentando normalizar as coisas.

-Sim. Eu costumo contar carneirinhos quando não consigo dormir.

Ema olhou para Dinis com uma expressão “ a sério?”

-Ok, contar carneirinhos é estúpido. – admitiu por fim Dinis, sorrindo.

-Muito estúpido. – disse Ema, sorrindo também.

-Então, podíamos ver um documentário aborrecido na televisão.

-Essa ideia agrada-me mais. – respondeu Ema voltando a sorrir.

Dinis agarrou no comando e começou a mudar de canal.

Ema ficou quieta a olhar para ele.

-Algum problema, Ema? – perguntou Dinis, olhando confuso para ela.

-Obrigada, Dinis. Tu és um bom amigo. – disse apenas Ema sorrindo para ele.

-Tento ser. – falou Dinis com uma expressão modesta.

-Não é qualquer amigo que fica noites inteiras acordado durante semanas.

-Eu sei que os teus sonhos te assustam.

-Mas hoje vou dormir. Vamos dormir. – disse rapidamente Ema esboçando um sorriso divertido.

-Sim, e vais ter sonhos felizes. – Dinis também sorriu divertido.

Bem as coisas estão a ficar cada vezes mais estranhas para Ema. Ainda bem que tem o Dinis ao seu lado. O que acham que vai acontecer a seguir?

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publicado às 16:17


2 comentários

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De twilight_pr a 11.01.2017 às 20:17

Omg! Primeiro que tudo tenho a dizer que adorei o pormenor de nos sonhos não se conseguir ler - gostei do facto de ela ter pegado no jornal.
Gosto bastante do Dinis, ele é realmente um grande amigo que está sempre para ela.
Então um dos motivos para isto pode ser a discussão dos pais dela? Pode ser outra coisa relacionada com isso? Estou ansiosa :D mal posso esperar!

Beijinhos*
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De Silver Sky a 11.01.2017 às 21:27

o mau relacionamento entre os pais de Ema pode e não pode ser um factor para ela estar assim :) e talvez seja por outra coisa :)! obrigada pelo comentário e fico feliz por teres lido o capítulo. kiss

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