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Parassómnia - Capítulo 17 - FIM

por Silver Sky, em 20.04.17

 

 

E aqui está o final tão esperado! hahahha

 

 

Capítulo 17

Já tinha passado uma semana desde que Ema tinha derrotado o Dr. Baltasar. Apesar de tudo, as coisas tinham voltado ao normal. Se isso fosse possível as coisas voltarem a ser como eram dantes. Porque, Ema para além de ser um lobisomem era também um alpha. Uma maldição de família que tinha de carregar para toda a vida. E mesmo conseguindo completar a transformação, Ema ainda não confiava nela própria. Sentia que a qualquer momento podia passar para o lado negro e sombrio da sua alma.

Ema e Dinis ao som da rádio passavam o serão a jogar um jogo qualquer de tabuleiro. Dinis baralha o dado na mão e depois lança-o para cima do tabuleiro do jogo, calhando-lhe o número “seis”.

-É impossível calhar-te o número “seis” quatro vezes seguidas! – reclamou Ema desconfiada.

Dinis exibiu um sorrisinho trocista e provocador.

-Arg! Como és batoteiro, Dinis Bartolomeu Lopes! – exclamou Ema irritada.

-Eu não tenho culpa de estar a ter sorte. – respondeu Dinis, encolhendo os ombros.

-Sorte ou estás a ganhar pelo fato de o dado estar viciado! – disse Ema, cruzando os braços sobre o peito.

-Viciado?!

-Sim. E bem sei que foste tu que o viciaste, Dinis!

-Culpado encontrado. – disse a seguir Dinis com sorriso divertido.

Ema revirou os olhos.

-É verdade. Onde está o Gaspar? Pensei que ele viesse cá ter. – perguntou Dinis, olhando para Ema curioso.

-O Gaspar tinha um encontro romântico. Não pode vir. – respondeu Ema, sorrindo.

-E quem é a vítima? – perguntou a seguir Dinis com um sorriso divertido.

Ema deu uma gargalha divertida e depois respondeu com um encolher de ombros:

-Não sei. Ele não disse.

De repente na rádio começou a tocar uma balada:

 

Oh, Miss Believer, my pretty sleeper

Your twisted mind is like snow on the road

Your shaking shoulders prove that it's colder

Inside your head than the winter of dead…”

 

Dinis levantou-se e estendeu a seguir a mão a Ema.

-Dinis?! – perguntou Ema, olhando confusa para a mão estendida do amigo.

-Vá lá, Ema. Concebe esta dança. – respondeu Dinis com um sorriso encantador.

Ema levantou-se e por fim agarrou na mão dele. A seguir, Dinis colocou as suas mãos na cintura dela e Ema envolveu o pescoço de Dinis com os seus braços. Os dois começaram a dançar ao ritmo lento da música.

 

“…I will tell you I love you

But the muffs on your ears will cater your fears

My nose and feet are running as we start

To travel through snow

Together we go

Together we go

 

We get colder

As we grow older

We will walk

So much slower…”

 

Enquanto dançavam os seus olhares cruzaram-se e Ema sorriu divertida.

-O que foi? – perguntou-lhe Dinis curioso.

-Não te imaginava como dançarino. – respondeu Ema, sorrindo.

-Não és a única que tem segredos. – disse Dinis com um sorriso divertido, piscando-lhe depois o olho.

 

“…Oh, Miss Believer, my pretty weeper

Your twisted thoughts are like snow on the rooftops

Please, take my hand, we're in foreign land

As we travel through snow

Together we go

Together we go

 

We get colder

As we grow older

We will walk

So much slower…”

 

A seguir, Dinis fez Ema rodopiar nos seus braços e os dois acabaram-se a rir divertido.

-Parece que alguém andou a ter aulas de dança! – disse Ema com um sorriso divertido.

-Achas que me safava num concurso de talentos? – perguntou Dinis também com um sorriso animado.

-Não só te safavas como ganhavas!

Os dois desmancharam-se a rir.

De repente os seus olhares cruzam-se e eles ficaram com uma expressão mais séria e tensa.

-Ema…

Mas Ema começou repentinamente a sentir um mau estar, que começava a intensificar-se. Sem se conseguir controlar, Ema caiu de joelhos ao chão.

-Ema! Estás bem? – perguntou Dinis preocupado, aproximando-se dela.

-Dinis…afasta-te de mim!

Ema levantou a cabeça e olhou para Dinis. Os seus olhos tinham um brilho vermelho e os seus dentes estavam maiores e mais afiados. As suas unham-se tinham desaparecido e dado lugar a enormes garras mortíferas. Ema sentia dentro dela a transformação a iniciar-se. Mais poderosa e avassaladora do que as outras vez. Sentia o seu lado negro da sua alma a libertar-se e a emergir do fundo.

-Ema… - falou Dinis assutado, afastando-se um pouco dela. – Tu, consegues lutar contra isso!

-Não. Não consigo…desculpa, Dinis!

Ema desfeita em lágrimas, sem se conseguir controlar atacou Dinis, rasgando-lhe brutalmente a garganta dele com as garras.

Ema acordou com o seu próprio grito, acordando também Dinis, que se encontrava a dormir numa poltrona ao lado da cama dela.

- Ema… - disse ele com um sorriso doce.

-Di..nis… - tentou falar Ema, mas a sua voz parecia que estava presa.

-Meu amor, está tudo bem. – disse a seguir Dinis, agarrando carinhosamente nas mãos dela, tentando tranquiliza-la.

Ema olhou para ele e inspirou fundo, acalmando-se por fim. O toque quente de Dinis fazia sentir-se bem, tranquila. Olhou a seguir à sua volta e finalmente se apercebeu que estava num quarto de hospital.

-Não te lembras do que aconteceu? – perguntou-lhe Dinis, continuando a agarrar nas mãos dela.

Ema abanou a cabeça.

-Tiveste um acidente de carro e ficaste em coma durante dois meses. – contou-lhe a seguir Dinis.

De repente as lembranças do acidente apareceram como relâmpagos na mente de Ema. As luzes amarelas dos faróis de um carro a ir em direção a ela e depois um…estrondo.

-Já me lembro… estava a ir para o trabalho quando um carro apareceu do nada.

-Nem imaginas o quanto feliz eu estou por estares bem. Pregaste-me cá um susto, Ema! – disse Xavier com um ar angustiado.

-Mas agora estou bem e pronta para atazanar o resto da tua vida. – Ema sorriu.

-Acho bem. Sem ti a minha vida é um grande aborrecimento. – disse Dinis com um sorriso divertido.

Ema, a seguir passou a sua mão pelo rosto de Dinis e por fim ele beijou-a. Ema correspondeu imediatamente ao beijo. Um beijo calmo, sem pressas. Ambos queriam aproveitar e saborear aquele momento mais devagar possível.

- Tinha tantas saudades tuas, meu amor. – disse a seguir Dinis, olhando nos olhos de Ema com um sorriso.

Ema sorriu e voltou a beija-lo.

-Os meus pais? – perguntou-lhe depois.

-Eles acabaram agora de sair. Mas vou-lhes telefonar avisar que tu já acordaste. E aproveito e informo também uma enfermeira. – respondeu Dinis com um sorriso energético e feliz, saindo por fim do quarto de hospital.

Ema sorriu-lhe e quando finalmente se encontrou sozinha no quarto, saiu da cama e dirigiu-se até à janela. Lá fora estava a nevar. Encostou a cabeça contra o vidro frio da janela e ficou a ver a neve a cair lá fora.

-Será que foi apenas um sonho? Pareceu tão real.

 

fim

espero que tenham gostado da história beijinhos. Não revi o capítulo, por isso algum erro que encontrem desculpem . bjs

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publicado às 16:50

Parassómnia "Capítulo 16"

por Silver Sky, em 13.04.17

 

 

 

Capítulo 16

 O cheiro de Dinis levou Ema e Gaspar até a zona industrial da cidade, parando à frente de um armazém de fabrico de automóveis onde o cheiro terminava.

-Tens a certeza que é aqui? – perguntou Gaspar, olhando para Ema.

-Apesar De eu ter quase morrido intoxicado por ter cheirado a sapatilha do Dinis…sim, tenho a certeza. – respondeu Ema com uma voz segura.

Gaspar olhou depois para o céu e falou:

-Lua Cheia. O momento em que o poder atinge o seu auge.

-Algum conselho antes de eu ir enfrentar um alpha demoníaco? – perguntou Ema, olhando para o primo.

-Sê tu própria. E eu estou a referir-me ao lobo que existe dentro de ti. Tens que o libertar sem medos, Ema. – respondeu Gaspar com uma expressão séria no rosto.

Ema respirou fundo e depois os dois entraram finalmente no armazém.

Cautelosamente começaram a movimentarem-se pelos carros inacabados.

-Consegues sentir o cheiro do Dinis? – perguntou depois Gaspar, olhando para ela.

-Sim. Por aqui! – respondeu Ema, seguindo em frente. Gaspar seguia.

Caminham alguns metros pelo armazém escuro, viram algumas vezes a direita e a esquerda e finalmente encontram-no. Dinis encontrava-se a uns metros deles, deitado no chão, parecia bem e consciente.

Ema e Gaspar correm imediatamente para junto dele.

-Como estás? – perguntou Ema preocupada, ajudando-o a levantar-se com a ajuda de Gaspar.

-Estou bem. – respondeu Dinis, sentindo-se apenas um pouco dorido.

De repente algo rápido passou por eles e segundos depois Ema foi atirada violentamente ao chão.

Atrapalhada e assustada Ema levantou-se e olhou à sua volta, enquanto Gaspar e Dinis permaneciam nos seus lugares muito quietos.

Da escuridão surgiu um homem com um brilho vermelho nos olhos.

-Dr. Baltasar? – exclamou Ema confusa.

Dinis e Gaspar também estavam perplexos.

O doutor com um sorriso malicioso e divertido aproximou-se dela.

-Ema, tenho que te dar os parabéns. – disse o Dr. Baltasar com um bater de palmas. – És a primeira pessoa que eu conheço que lutou contra a transformação.

-Eu não acredito! O doutor é que é o alpha lobo demónio? – falou Ema sem ainda conseguir acreditar.

-Confesso que foi inteligente da tua parte evitares dormir durante semanas. Isso, impediu que eu conseguisse entrar na tua mente. – disse o doutor exibiu um sorriso divertido e perverso.

-Era o doutor esse tempo todo?! Você era o monstro de olhos vermelhos dos meus sonhos?! – exclamou Ema chocada com uma mistura de fúria e confusão.

-Admito que me diverti muito entrar na tua cabeça e mexer com a tua mente. Já há muito tempo que não o fazia. – disse o Dr. Baltasar com um sorriso divertido e trocista. Mas chega de diversão. Tu tens uma coisa que eu quero! – falou depois com uma expressão sombria e ameaçadora.

-O meu poder de alpha nunca vai ser teu! – gritou Ema cheia de fúria e os seus olhos ganharam um brilho vermelho.

-Queres uma aposta? – respondeu-lhe o Dr. Baltasar com um sorriso provocador e trocista.

Ema cerrou os punhos cheio de ódio e correu na direção de Dr. Baltasar, pronta para atacar. Mas Dr. Baltasar é mais rápido e conseguiu desviar-se do ataque de Ema e contra-atacando logo de seguida com um golpe que atirou com Ema brutalmente ao chão. Ema cerrou os dentes com a dor e o brilho vermelho dos seus olhos desapareceu.

O Dr. Baltasar aproximou-se de Ema.

-Tu és fraca! Patética! Não mereces ser um alpha! – falou a seguir o Dr. Baltasar com

uma voz sombria.

Um brilho vermelho reapareceu no olhar do doutor e a pele dele começou a derreter, aparecendo depois um pelo preto. Caiu depois de quatro ao chão e os pés e as mãos transformaram-se em enormes matas. A boca começava a dar lugar a um focinho comprido com grandes dentes e passado uns minutos o Dr. Baltasar tinha-se transformado num lobo preto gigante.

Soltou a seguir um rugido glorioso e com uma atitude vitoriosa e cheia de poder colocou uma das patas da frente em cima do peito de Ema, pressionando com força a caixa torácica dela.

Ema soltou um grito.

-Ele vai mata-la! – exclamou Dinis apavorado. – Temos que a ajudar! Fazer alguma coisa! – olhou depois para Gaspar.

-Não há nada que possamos fazer, Dinis. Agora é com a Ema. Só ela o consegue derrotar. – respondeu Gaspar, olhando para ele.

-EMA! -gritou Dinis em pânico.

Ao ouvir o grito de Dinis, Ema sentiu uma força dentro dela e os seus olhos ganharam novamente um brilho vermelho. Agarrou na pata do Dr. Baltasar e removeu-a do seu peito. Rodou depois para o lado e a para do doutor caiu pesadamente no chão. Num salto Ema levantou-se do chão e ficou de frente para o lobo preto gigante. Cerrou os punhos e gritou. A raiva apoderou-se dela e um calor e uma dor envolveram o seu corpo. Ema caiu de quatro ao chão e a sua pele começou a derreter. Pelos cinzentos começaram a aparecer. A sua orelhas começaram a adquirir uma forma pontiaguda. O seu rosto adquiriu feições animalescas, a boca deu lugar a um focinho cheio de dentes mortíferos e o seu corpo começou a transformar-se. Uma enorme cauda cinzenta apareceu e as mãos e os pés tornaram-se em patas grandes com garras afiadas. Segundos depois Ema tinha-se transformado num lobo cinzento gigante.

-Ela completou a transformação! – exclamou Gaspar com uma expressão animada e orgulhosa, enquanto Dinis tinha um ar assustado e ao mesmo tempo surpreso.

Ema soltou um rugido desafiador e Dr. Baltasar respondeu-lhe com um rugido provocador. Olharam-se por uns segundos e depois avançaram um para outro. A batalha tinha começado. Nos minutos a seguir trocaram patadas e dentadas no pescoço, nas patas, no focinho. Tanto Ema como o Dr. Baltasar sangravam, começando a ficar cansados.

Dinis e Gaspar observavam de longe, muito nervosos a luta. Dinis não conseguindo ver Ema a sofrer, tapava às vezes a cara com as mãos.

A luta continuava. Ema conseguiu desviar-se de um ataque do Dr. Baltasar e a seguir derruba-o brutalmente ao chão. Dr. Baltasar tentou colocar-se de pé, mas Ema como uma das patas da frente obrigou-o a permanecer no chão. A seguir num movimento rápido mordeu o pescoço do doutor com os seus enormes dentes, rasgando-lhe brutalmente a garganta. Dr. Baltasar voltou a sua forma humana e começou a esvaziar-se em sangue até morrer.

Ema afastou-se dele e voltou-se para Gaspar e Dinis (que olhava horrorizado para ela). A seguir ela também voltou a sua forma humana. Tinha o rosto, a boca e o resto do corpo coberto em sague, algum era dela, outro era do Dr. Baltasar. Olhou uma última vez para Dinis e caiu depois inconsciente ao chão.

Dinis e Gaspar preocupados correram para junto dela.

-Ema, eu estou aqui. – disse Gaspar ajoelhado ao lado dela, abraçando-a com todas as forças. – Não te preocupes. Vais ficar bem.

bem o que acharam da revelação de quem é o alpha? se calhar até já desconfiavam hahah. Mas espero que tenham gostado. Desculpem o atraso. Não fiz a revisão do capítulo. E é só para dizer que para a semana é o último capítulo de PARASSÓMINIA.

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publicado às 19:59

Parassómnia - Capítulo 15

por Silver Sky, em 05.04.17

 

 

Capítulo 15

 Um uivo estridente e assustador acordou Ema.

Levantou-se da cama num salto e acordou rapidamente Dinis que dormia numa poltrona ao fundo da cama.

-Dinis, ele está aqui! – sussurrou Ema.

-Eu, vou avisar o Gaspar.  – falou Dinis, tirando o telemóvel do bolso da frente das calças de ganga e enviando uma mensagem “S.O.S” a Gaspar.

A seguir os dois saíram do quarto, atravessaram o corredor e entraram sorrateiramente na sala de estar. Mas de repente, algo atravessou a janela, estilhaçando os vidros todos no chão. Ema e Dinis perplexos com aquilo que se encontrava diante dos seus olhos não se atreveram a mexer.

Era um lobo gigante, de pelo preto, com pelo menos dois metros de altura. Os seus olhos vermelhos brilhantes estavam fixados em Ema. Era ele. O monstro de olhos vermelhos dos sonhos dela.

O monstro num movimento rápido avançou na direção deles e atacou Ema, atirando-a violentamente para o chão. Dinis assustado corre imediatamente para um canto. O lobo ignorou a presença dele e aproximou-se de Ema. Ema tentou levantar-se, mas o lobo voltou ataca-la, atingindo-a no braço com as suas garras afiadas, fazendo-a novamente cair ao chão. Dinis escondido num canto estremeceu. Ema mordeu o lábio com a dor. Olhou para o seu braço que sangrava abundantemente. O lobo soltou um rugido arrepiante e olhou para ela com desprezo. Ema começou a rastejar em direção à mesa de madeira, enquanto o lobo se aproximava dela em passos lentos. De repente quando ela se preparava para se refugiar debaixo da mesa de madeira, o lobo atacou-a, mordendo-lhe a perna e puxando-a. Ema agarrou-se imediatamente à perna de madeira da mesa e gritou. Debatia-se para libertar a perna dos enormes dentes do alpha, mas não estava a conseguir. Não havia maneira de o lobo libertar a sua perna. Puxava-a com toda a ferocidade e o pior é que Ema começava a ficar cansada a perder as forças.

Dinis no seu canto encontrava-se apavorado e inquieto. Tinha que fazer alguma coisa. Ele ia mata-la! Olhou à sua volta e viu o taco de basebol encostado ao sofá. Inspirou fundo e correu, agarrando a seguir no taco.

-HEI! – gritou em plenos pulmões, segurando firmemente o taco e basebol com as duas mãos.

Mas o lobo ignorou-o.

-Hei. Deixa-a em paz! – disse depois ele furioso, batendo com toda a força o taco de basebol nas costas do lobo, mas o taco parte-se ao meio. Dinis olhou para ele confuso.

O lobo largou a perna de Ema e virou-se lentamente para Dinis.

-Ops! – disse Dinis com uma expressão assustada, engolindo em seco.

-Dinis, CORRE! -gritou Ema apavorada.

Mas Dinis não se conseguia mexer era como se tinha os seus pés colocados ao chão. O lobo começou a aproximar-se dele. Dinis tremia. A seguir o lobo parou à frente dele. O seu focinho estava uns caços centímetros da cara de Dinis. Ele conseguia sentir a respiração quente do lobo a bater-lhe no rosto.

-DINIS! – gritou Ema desesperada, não se conseguindo levantar.

Mas Dinis continuava a não se conseguir mexer. A seguir o lobo abriu a sua enorme boca, mostrando os seus dentes afiados e Dinis fechou os olhos, à espera da sua morte.

Mas de repente a porta de casa abriu-se e apareceu um lobo grande (mais pequeno que o alpha), castanho, de olhos amarelos brilhantes e atacou imediatamente o lobo preto, atirando-o violentamente para o chão.

-Gaspar. – disse Ema, respirando de alívio.

Gaspar abriu os olhos e correu para junto de Ema.

-Estás bem? – perguntou-lhe preocupado.

Ema assentiu com a cabeça.

Mas rapidamente os seus olhares desviaram-se para a luta entre Gaspar e o alpha.

E Gaspar estava nitidamente a perder. O alpha atacava-o, atingindo-o com golpes e dentadas.

-Ema, tu precisas de fazer alguma coisa! – disse a seguir Dinis num tom alarmado.

-Não consigo. – respondeu Ema com uma expressão fraca.

-Tu, precisas de reagir! Precisas de te transformar! Se não fizeres nada, o alpha vai mata-lo! Precisas de ficar com raiva!

-É fácil de falar!

-Desculpa, por aquilo que vou fazer a seguir. – disse depois Dinis com uma expressão cheia de culpa.

Ema olhou confusa para ele. E a seguir a única coisa que sente é palma da mão de Dinis na sua cara.

-Agora já sentes raiva?

-Dá-me outro estalo! – pediu Ema, com a respiração a começar a ficar ofegante.

Dinis voltou a dar-lhe outro estalo e uma raiva inexplicável atingia como um relâmpago. Sentiu um calor e uma enorme dor a invadir-lhe o corpo, como se estivesse a ser queimada viva. Os seus olhos ficam vermelhos brilhantes e todas as suas feridas saram. Os seus dentes ficaram enormes e as suas unhas transformaram-se em garras. O seu rosto transforma-se, ganhando feições animalescas. Sentia uma enorme vontade de arrancar a cabeça a Dinis, mas esse pensamento é interrompido pelo grito de Gaspar. Ema olhou imediatamente para o lado e viu o primo caído no chão, na sua forma humana, com o lobo preto a tentar morde-lo.

Ema reagiu rapidamente, saiu debaixo da mesa de madeira e atacou o alpha, cravando as suas garras nas costelas dele. O lobo preto soltou um doloroso rugido e afastou-se de Gaspar que rastejou para longe.

Dinis continuava escondido debaixo da mesa de madeira.

A seguir o lobo preto virou-se para Ema, ficando de frente para ela.

-EU NÃO TENHO MEDO DE TI! – gritou Ema com uma voz rouca e grave.

O lobo preto soltou um rugido provocador, desafiando-a.

Ema respondeu-lhe a seguir com outro rugido potente e os dois começaram a correr na direção um do outro.

O lobo preto tentou mordeu Ema, mas ela conseguiu prender o focinho dele e depois cravou os seus enormes dentes afiados no pescoço dele. O lobo ganiu e afastou-se, mas Ema não perdeu tempo e voltou a investir outro ataque, golpeando a perna do lobo com as suas garras afiadas. O alpha ferido acabou por ceder e caiu ao chão.

Ema inspirou fundo e lembrou-se do sorriso de Dinis e voltou ao normal. Sem perder foi ter com o Gaspar.

-Estás bem? – perguntou-lhe preocupada.

O primo respondeu-lhe, assentindo com a cabeça e levantando-se a seguir com a ajuda dela.

-Onde está o Dinis? – perguntou Gaspar preocupado, olhando à sua volta. – E onde está o alpha?

-Oh, não! O alpha levou o Dinis! – disse rapidamente Ema alarmada. – Ele vai mata-lo, Gaspar. – disse depois com uma expressão em pânico.

-Não, não vai mata-lo, Ema. O alpha vai usar Dinis como isco para te atrair.

-Então, temos que o encontrar antes que seja tarde demais. Se alguma coisa acontecer a Dinis nunca me vou conseguir perdoar!

- Agora não vale a pena pensar nisso. Temos que ter calma. – disse Gaspar, tentando tranquilizar Ema. – Tens alguma coisa do Dinis para seguirmos o cheiro dele?

- Não sei. Talvez no quarto.

Os dois saíram da sala de estar e entraram no quarto. Junto à poltrona encontravam-se as sapatilhas cinzentas de Dinis.

-Estas são as sapatilhas do Dinis. – disse Ema, agarrando numa das sapatilhas.

-Ok, agora cheira. – disse Gaspar num tom sério.

Ema olhou para ele confusa e disse:

-Só podes estar a brincar!

-Queres ou não encontrar o Dinis?

 

Olá! Está aqui mais um capítulo? O que acharam do final? O que irá acontecer  Dinis? Bem...já só faltam dois capítulos para a história acabar. bjs

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publicado às 14:28

Parassómnia - Capítulo 14

por Silver Sky, em 29.03.17

 cliquem :)

Capítulo 14

Ema acordou no sofá. A sala de estar estava submersa na escuridão.

Junto à janela encontrava-se o Dinis a olhar para o céu estrelado com uma expressão serena.

-Onde está o Gaspar? – perguntou Ema, endireitando-se do sofá.

Dinis virou-se para a encarar.

-Ele já se foi embora.

-E tu porquê é que ficaste? – perguntou Ema, olhando confusa para o amigo.

-Queria ter a certeza que ficavas bem. – respondeu Dinis, sorrindo e sentando-se depois no sofá ao lado de Ema.

Ema sem conseguir evitar olhou para as marcas arroxeadas que Dinis tinha no pescoço. Ao vê-las sentiu um aperto no coração. Sentiu nojo e raiva dela própria. Como ela poderia ter feito aquilo ao seu amigo?

-Dinis…desculpa por te ter magoado. – disse depois Ema com um sentimento cheio de culpa.

-Ema, já te disse que não faz mal. Eu estou bem. – respondeu Dinis, olhando para ela.

-Claro que faz mal! – disse rapidamente com um ar furioso. – Eu poderia ter-te matado, Dinis!

-Mas não o fizeste, Ema! Por isso para pensar nisso.

-Não consigo. – disse Ema, abanando a cabeça angustiada. – Por isso, acho que é melhor afastarmo-nos. Deixarmo-nos de ver. É o melhor para ti. – Ema acabou por olhar, tristemente para Dinis.

-Queres que deixemos ser amigos? – perguntou Dinis com uma expressão séria e também triste enquanto olhava para ela.

-Se não fores mais meu amigo, ficas seguro, Dinis!

-Eu, não me vou afastar de ti, Ema. Eu confio em ti! – Dinis impulsivamente agarrou na mão de Ema. – Eu sei que para a próxima vais conseguir controlar-te.

Ema limitou-se a olhar para ele com uma expressão fechada e angustiada enquanto ele lhe exibiu um sorriso simpático.

 

XXX

 

Gaspar prendia os pulsos de Ema com fita adesiva.

-Isto é mesmo necessário? – perguntou-lhe Ema, nervosa com o novo plano de Gaspar para a fazer completar a transformação.

-Confias em mim? – perguntou a seguir Gaspar com um sorriso.

-Não! – respondeu rapidamente Ema. – Da última vez que confiei, tu fechaste-me dentro roupeiro. Lembras-te?

Gaspar sorriu divertido.

-Pensei que isso já fosse águas passadas.

Entretanto, Dinis apareceu na sala de estar completamente equipado com um capacete na cabeça, joelheiras, braçadeiras e um taco de basebol num das mãos.

Gaspar e Ema olharam para ele confusos.

-Para quê é isso? – perguntou a seguir Ema.

-Desta vez prefiro não arriscar. – respondeu Dinis.

-Mas, pensei que confiasses em mim. – disse depois Ema enrugando a testa confusa.

-E, confio. Mas assim fico mais descansado. E nunca ouviste o ditado? Mais vale prevenir do que remediar!

Gaspar riu-se e terminou de prender os pulsos de Ema.

-Prontinho. Podemos começar. – falou a seguir Gaspar.

-O que vai ser desta vez? Vais deita-la a uma piscina com a mãos e pés amarrados e vamos vê-la afogar-se lentamente? – perguntou Dinis num tom irónico.

Gaspar limitou-se a retribuir-lhe um sorriso divertido e respondeu-lhe depois:

-Essa é uma ideia bastante boa, mas tenho outra coisa em mente.

-Qual? – perguntou Dinis ansioso e nervoso.

Gaspar ignorou a pergunta de Dinis e colocou-se de frente para a Ema que se encontrava de pé.

-Desde que eu não volte a ficar trancada no roupeiro, por mim tanto faz. – disse depois Ema.

Gaspar sorriu e soqueia depois Ema bem na barriga, que caia de joelhos, sentindo uma enorme dor a atingi-la no estômago.

-Oh boa! – disse rapidamente Dinis nervoso. – É essa a tua brilhante ideia? Espancar uma rapariga indefesa com os pulsos presos com fita adesiva até à morte?

- A Ema, de rapariga indefesa não tem nada. – respondeu Gaspar, com um sorriso divertido, olhando para Dinis.

A dor no estômago finalmente desapareceu e Ema conseguiu respirar de alívio. Mas Gaspar não ia terminar por ali. Sem qualquer aviso prévio soqueia a cara de Ema, virando-lhe a cara para o lado.

Dinis engoliu em seco com a vontade de soltar Ema e fazer Gaspar parar. Mas ele sabia que Ema não queria que ele fizesse isso. Gaspar estava só a tentar ajudar, mesmo que os seus métodos de ensino não fossem os mais seguros e normais.

Sangue apareceu na boca de Ema e ela deixou depois a cabeça cair para baixo. Começava a sentir uma dor e um calor enorme a invadir o seu corpo. O coração tinha começado a bater mais depressa, era como se conseguisse ouvir o sangue a circular depressa nas suas próprias veias. Sentia um frenesim dentro dela, como se algo estivesse ansioso para se libertar.

Gaspar cautelosamente aproximou-se mais de Ema e baixou a cabeça, até ficar à altura da cabeça dela, sussurrando-lhe depois ao ouvido com uma voz sombria e ameaçadora

-O alpha vai-te encontrar, vai-te matar e depois quando tiver acabado contigo...vai atrás do Dinis e acredita em mim… vai-lhe rasgar a garganta e vai-lhe arrancar a cabeça e tu não vais poder fazer nada para o impedir, porque já não estás aqui!

Ema ao ouvir aquelas palavras sentiu uma incontrolável raiva a ponderar-se de si. A envolve-la como um manto. E todos os seus instintos de animal vieram ao de cima e o animal finalmente se libertou. Ema levantou a cabeça e os seus olhos tinham um brilho vermelho sombrio. Gaspar dá automaticamente um passo para trás e Dinis faz involuntariamente o mesmo, agarrando fortemente o taco de basebol contra o seu peito. A seguir Ema libertou-se da fita adesiva que prendia os seus pulsos e tornozelos e levantou-se lentamente, olhando fixamente para Gaspar e Dinis. As feições do seu rosto eram animalescas e demoníacas. Os seus dentes estavam enormes e as suas tinham-se transformado em normas garras. O seu olhar era de pura raiva e ameaçador.

-Ainda achas que ela é uma rapariga inofensiva? – disse Gaspar sarcasticamente, olhando para Dinis.

Ema soltou a seguir um rugido e avançou em direção de Gaspar, agarrando-o pelo pescoço e atirando-o violentamente contra o sofá. Depois ela virou-se automaticamente para Dinis.

-Por favor, Ema, não me faças usar isto! – disse Dinis assustado, estendendo o taco de basebol, de forma a colocar o taco no espaço vazio entre ele e ela.

Ema ignorou Dinis e com um simples movimento das suas garras tirou o taco de basebol das mãos dele, atirando-o para o chão.

Dinis aterrorizado recuou automaticamente um passo para trás.

Ema deu um passo em frente na direção dele. Os seus olhos vermelhos brilhantes estavam mais intensos e mais enraivecidos. Ela a seguir abriu a boca pronta para o atacar.

Mas Dinis gritou desesperado, encolhendo-se:

-EMA!

A voz de Dinis atingiu Ema como um choque elétrico, fazendo-a despertar. De repente a cor dos olhos de Ema voltaram ao normal. Um castanho escuro. As garras também desapareceram e os dentes voltaram ao tamanho normal. O seu rosto perdeu as feições animalescas e Ema era novamente ela.

Dinis respirou de alívio e abraçou-a com um sorriso.

-Conseguiste! Eu, sabia conseguias! – disse depois ele excitadíssimo e orgulhoso.

-Sim, consegui. – disse Ema, ainda com dificuldades de acreditar que tinha conseguido controlar a sua transformação.

-Eu, sempre acreditei em ti, priminha. – disse a seguir Gaspar, aproximando-se dos dois com um sorriso rasgado.

 

XXX

 

 Depois de tomar um banho, Ema encontrava-se no quarto a olhar-se ao espelho com uma expressão pensativa e séria, quando Gaspar entrou no quarto.

-O Dinis já foi embora, mas ele disse que ainda volta esta noite. – falou Gaspar, aproximando-se de Ema. – Como te sentes?

-Bem. – respondeu Ema, acabando de secar o cabelo com a toalha e atirando-a depois para cima da cama.

-Hoje estiveste muito bem. Estas no bom caminho. Não tarda nada e já vais conseguir completar a transformação. – disse Gaspar, sorrindo para ela.

-E tornar-me num lobo demónio. – disse Ema com um olhar triste.

-Não necessariamente. Podes completar a transformação sem te transformares num lobo demónio.

-Como assim? – perguntou rapidamente Ema curiosa com um pequeno sentimento de esperança a aparecer dentro do seu coração.

-Só aqueles que são cruéis e tem um coração mau é que se transformam em lobos demónios quando completam a transformação. Mas eu sei e acredito que o teu coração é bom, puro e cheio de bondade, priminha. – respondeu Gaspar, apontando para o peito de Ema.

-Bom, sendo assim sinto-me um pouquinho melhor…mais otimista. – disse por fim Ema com um meio sorriso.

-Mas, Ema, tenho uma coisa que te quero perguntar. – disse depois Gaspar com uma pequena faísca de curiosidade a aparecer no olhar.

-O quê?

-Como conseguiste voltar ao normal?

-Foi a voz de Dinis. Lembrei-me como ele me fazia rir…como ele me fazia feliz. Como me fazia sentir humana. – sem se perceber, Ema deixa escapar um sorriso feliz.

-Tu gostas dele? – perguntou rapidamente Gaspar.

Ema ao ouvir aquela pergunta o seu corpo congelou e o seu coração disparou.

-Não. Ele é o meu melhor amigo!

-Sabes, priminha, as maiores histórias de amor, nasceram a partir de grandes. E, sem dares por isso, num piscar de olho a amizade transforma-se em amor e acabas por te apaixonar. – disse a seguir Gaspar com um sorriso divertido.

Ema engoliu em seco.

desculpem pelo atraso. Não deu para rever o capítulo por isso sorry :/. Espero que gostem do capítulo. Neste capítulo deu para ver mais um poquinho do treino de Ema para completar a transformação e também mostrou um pouco da relação de Ema e Dinis.

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publicado às 23:53

Parassómnia - Capítulo 13

por Silver Sky, em 22.03.17

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Capítulo 13

Ema entrou no consultório do Dr. Baltasar e sentou-se na cadeira que se encontrava a frente da secretária. Ficando de frente para o psicólogo.

-Olá, Ema. – cumprimenta-a o doutor com um sorriso. – Como te tens sentido desde a última vez que falamos?

-Muito melhor. O doutor tinha razão. Eu deixe-me levar muito por aquilo que a minha avó escreveu no seu diário. Como o doutor disse são apenas histórias. Os lobisomens não existem e certamente eu não sou um. – disse Ema, sorrindo nervosa. – A minha avó tinha apenas uma mente muito criativa.

-Fico feliz em ouvir isso, Ema. – disse Dr. Baltazar, voltando a sorrir. – Mas mesmo assim acho que devíamos continuar com as consultas.

-Acho que já não preciso, doutor. Não voltei a ter pesadelos e nem alucinações. Mas agradeço tudo o que fez por mim. Ajudou-me imenso.

-Hum…está bem. Mas caso precisas de falar ou desabafar sabes onde me encontrares. O meu consultório estará sempre de portas abertas para ti, Ema. – disse Dr. Baltasar, sorrindo calorosamente a Ema.

-Obrigada, doutor. – Ema devolveu-lhe o sorriso.

 

XXX

 

Encontravam-se todos no quarto de Ema.

-Então, qual é o truque para despertar a transformação? – perguntou Ema curiosa, olhando para Gaspar.

-Raiva. – respondeu Gaspar. – Tu precisas de sentir raiva.

-Pois…mas isso é mais fácil de dizer do que sentir. – disse depois Ema.

-Eu tenho uma ideia! – disse rapidamente Gaspar com um sorriso travesso.

-E qual é essa ideia? – perguntou Ema, franzindo a sobrancelha.

-Confia em mim.

A seguir Gaspar agarrou em Ema e fechou-a dentro do guarda-fatos, bloqueando depois a porta com as costas para ela não sair.

-Gaspar! O que estás a fazer? Tira-me daqui! – gritou Ema em pânico, batendo violentamente na porta do guarda-fatos.

-Confia em mim, Ema. – voltou a dizer Gaspar.

-Hei, meu! O que estás a fazer?! Deixa-a sair daí! – disse a seguir Dinis nervoso e preocupado.

-Só mais um segundinho. – falou Gaspar, ainda a bloquear a porta com as costas para Ema não sair.

-DEIXA-ME SAIR! – gritou Ema furiosa, cheia de raiva.

-Gaspar! Tira-a daí! – disse Dinis começando a ficar irritado.

De repente Ema calou-se e parou de bater na porta do guarda-fatos. O quarto ficou mergulhado num silêncio assustador.

Dinis olhou para Gaspar confuso e preocupado. Pensado imediatamente no pior.

-Hora do espetáculo! – disse Gaspar com um sorrisinho divertido, afastando rapidamente da porta do roupeiro.

A porta do guarda-fatos abriu-se e dois olhos vermelhos brilhantes surgiram da escuridão.

Dinis assustado deu um passo para atrás.

Ema saiu finalmente do guarda-fatos. Estava diferente. O seu rosto tinha contornos animalescos, as suas unhas tinham-se transformado em garras e os seus dentes estavam maiores e mais afiados. Tinha uma expressão sombria e assustadora.

Ema olhou com os seus olhos vermelhos para Gaspar e atacou-o, com um simples golpe atirou-o ao chão. A seguir colocou-se por cima dele e rosnou. Dinis tremeu e engoliu em seco. Ema olhou uma última vez para Gaspar e acabou por sair de cima dele, voltando-se para Dinis, começando a caminhar na direção dele.

-Ema! Sou eu, o Dinis! – falou Dinis assustado, afastando-se à medida que Ema se aproximava dele.

Mas Ema não o ouvia. Parecia que estava num transe qualquer.

Dinis acabou por bater de costas contra a parede e Ema agarrou-o pelo pescoço, apertando-o com toda a força.

-Ema… - disse Dinis, começando a sufocar.

Mas Ema não o ouvia. Pelo contrário, apertou o pescoço ainda com mais força.

De repente Gaspar levantou-se do chão, agarrou numa cadeira e atirou-a contra Ema, que imediatamente largou Dinis e caiu a seguir inconsciente no chão, voltando ao normal.

-Esta foi por pouco! – exclamou Dinis ainda muito assustado.

 

XXX

 

Ema, Dinis e Gaspar encontravam-se na sala, sentados no sofá.

-Aquela foi a tua ideia brilhante de me ajudares? Fechar-me no guarda-fatos? – disse Ema, olhando para Gaspar, ainda zangada com ele.

-Resultou, não resultou? – respondeu Gaspar com um sorriso divertido.

-Eu poderia ter matado o Dinis se tu não me tivesses impedido! – disse rapidamente Ema ainda muito irritada.

-Mas, não o mataste, pois não?

Ema não respondeu e lançou simplesmente um olhar furioso a Gaspar.

-Ema. – falou a seguir Dinis. – Não te martirizes mais com isso. Eu, estou bem. – Sorriu-lhe a seguir.

 Mas Ema não lhe devolveu o sorriso, apenas limitou-se a olhar para as marcas arroxeadas que Dinis tinha no pescoço, desviando imediatamente o olhar. Fora ela que lhe fizera aquelas marcas. Era um monstro! Como Dinis ainda poderia estar ali a falar para ela como se nada tivesse acontecido? Naquele momento, Ema sentiu vergonha e nojo dela própria.

-Mas, eu não percebo. Como é que vocês na outra noite pararam a transformação? – perguntou a seguir Dinis curioso, olhando para eles os dois e interrompendo os pensamentos de ódio que Ema sentia dela própria.

-Eu beijei a Ema. – respondeu Dinis.

Ao ouvir a resposta, Ema olhou imediatamente para Dinis e depois para Gaspar que tinha uma expressão confusa e surpresa enquanto ainda olhava para eles os dois.

-Oh, isso… - começou por dizer Gaspar, sorrindo.

-Não é nada disso que estás a pensar! – falou rapidamente Ema. – O Dinis agiu como se eu estivesse a ter um ataque de pânico. Sustentar a respiração pode parar um ataque de pânico. E foi isso que aconteceu. Quando ele me beijou eu sustive a respiração e eu voltei ao normal. E foi assim que paramos a transformação.

-Cada um usa os truques que conhece. – disse Gaspar com um sorriso, piscando o olho a Dinis, que se encontrava nervoso. A seguir Gaspar olhou para Ema com uma expressão mais séria. – Mas o Dinis não pode passar a vida toda a beijar-te para impedir que tu te transformes, Ema. Ou é isso que vocês querem?

-Não! – responderam os dois ao mesmo tempo, trocando depois um olhar embaraçoso.

Gaspar riu-se divertido, olhando para eles os dois.

-Bom, voltando ao tópico inicial. – começou por dizer a seguir Gaspar. – A transformação é fácil. O difícil é voltar ao normal…à forma humana. Sei do que falo. Quando eu completei pela primeira vez a minha transformação, foi muito duro voltar ao normal. Pensei que ia ficar daquela forma para sempre, que nunca mais ia voltar a ver a minha forma humana…foi assustador. – disse Gaspar com uma expressão séria e nostálgica no olhar.

-E, então como conseguiste voltar ao normal? O que tu fizeste? – perguntou Ema curiosa e ansiosa.

-O truque é pensares em algo que te torne humano. Pode ser um objeto, um sentimento, ou pode ser uma pessoa. – respondeu Gaspar olhando para Ema e depois para Dinis.

Olá. Tudo bem? Mais um capítulo. E então o que acharam? Concrodam com os métodos de Gaspar a tentar Ema a completar a transformação? bjs e boa leitura

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publicado às 19:55

PARASSÓMNIA "Capítulo 12"

por Silver Sky, em 15.03.17

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Capítulo 12

Ema e Dinis caminhavam pelo parque de estacionamento.

-Eu não acredito que me fizeste mesmo pagar o jantar! – disse Ema com uma expressão indignada olhando para Dinis.

-Eu mereci! Salvei a minha vida e impedi que te transformasses num lobo demónio! – respondeu o amigo com um sorriso divertido.

Ema limitou-se a revirar os olhos.

-Mas existe uma coisa que eu não percebo. – falou depois Ema com um ar pensativo.

-O quê? – perguntou Dinis, olhando para ela com curiosidade.

-Não percebo porque me comecei a transformar numa lua crescente? – Ema olhou para céu, fitando a lua.

-Bem, uma vez no liceu tive que fazer um trabalho sobre as fases da lua e li num livro que a lua crescente representa a transformação do real, do não tangível em tangível. O que se formos ver encaixa perfeitamente na tua situação. – respondeu Dinis.

Mas Ema tinha parado de andar.

-Ema?! O que foi? Porque paras-te? – perguntou Dinis, olhando confuso para ela.

Mas Ema não respondeu e um brilho vermelho apareceu nos seus olhos.

-Estas assustar-me…porquê é que os teus olhos estão vermelhos? – perguntou Dinis num tom receoso.

-Quem és tu? – perguntou a seguir Ema com uma voz sombria e rouca, virando-se para trás e fitando a escuridão.

-Quem? Para quem estas a falar? Não está aqui ninguém! – disse Dinis, virando-se igualmente para trás e começando a ficar seriamente assustado. – Não me digas que começaste novamente a ter alucinações?!

-Eu vim em paz, priminha. – respondeu uma voz enquanto da escuridão surgia um rapaz com um brilho amarelo nos olhos.

-O que queres? – perguntou a seguir Ema com uma voz firme, ainda com um brilho vermelho nos olhos.

-Apenas quero ajudar. Imagino que a transformação não esteja a ser nada fácil. – respondeu o rapaz com um sorriso, ao mesmo tempo que desaparecia o brilho amarelo dos seus olhos.

XXX

Dinis e Gaspar encontravam-se sentados no sofá, enquanto Ema anda de um lado para o outro.

-Gaspar, como é que eu nunca ouvi falar de ti? – perguntou Ema confusa, olhando para ele.

-A nossa família gosta dos seus segredos. – respondeu Gaspar a sorrir.

Ema finalmente se senta numa cadeira, olhando para Gaspar.

-Tu ainda não completaste a transformação. – falou novamente Gaspar, olhando para Ema já com um ar mais sério.

-E nem vou completar. – respondeu rapidamente Ema. – Eu não me quero transformar num lobo demónio!

Gaspar soltou uma gargalhada divertida.

Ema e Dinis olharam para ele confusos.

-Qual é a piada? – perguntou a seguir Ema.

-Vejo que andaste a falar com o Sr. Lobo. – respondeu Gaspar, voltando a sorrir.

-Tu conheces o Sr.Lobo? – Ema franziu a sobrancelha.

-Sim. Ele é meu pai, teu tio. Um lobisomem também. Mas a medicação que toma impede-o de se transformar.

-E porquê ele está internado? – perguntou Ema confusa.

-Porque a nossa família pensou que ele era louco. Como deves calcular a nossa família é conhecida pelos seus casos de insanidade. – respondeu Gaspar esboçando um sorriso divertido.

-Sim, eu li o diário da nossa avó. O nosso bisavô e a nossa tia-avó também eram lobisomens.

-Eu tenho uma pergunta. – pronunciou-se pela primeira vez Dinis. Ema e Gaspar que se tinham esquecido completamente da sua presença olharam para ele. – Porquê é que a cor dos vossos olhos é diferente? Porquê é que os olhos da Ema são vermelhos e os teus, Gaspar, são amarelos?

-Porque ela é um alpha e eu sou um beta. – respondeu Gaspar a Dinis, olhando depois para Ema.

-Isso é fixe! Mesmo fixe! Um alpha! – disse rapidamente Dinis com uma expressão entusiasmada.

-Um alpha!? Porquê é que eu sou um alpha? – perguntou Ema franzindo a sobrancelha.

-Na nossa família o poder de alpha é passado de geração em geração. Mas ninguém sabe quem é o próximo alpha até ele se revelar. O meu pai era o alpha da geração dele e tu és o alpha da nossa geração. – respondeu Gaspar com uma expressão estranhamente mais séria.

-Isso é um máximo! – exclamou Dinis encantado.

Ema com uma expressão pensativa levantou-se da cadeira e foi até a janela.

-O rapaz que eu matei faz parte da revelação de eu me tornar alpha? – Ema olhou para Gaspar.

Gaspar levantou-se também do sofá e foi ter com ela.

-Não, Ema. Tu já nasceste como alpha. Está no teu sangue, faz parte de ti…e tu não mataste aquele rapaz.

Ema olhou confusa para o primo.

-Então quem foi? – perguntou Dinis curioso levantando-se de rompante do sofá.

-Outro alpha. Um poderoso e muito perigoso lobisomem. Eu tenho vindo a segui-lo faz algum tempo. E ele tem matado muitos alphas pelo país fora. Ele deseja poder mais do que tudo na vida. Ele é um verdadeiro lobo demônio. Por isso, eu vim para cidade para te avisar, Ema!

-E tu sabes quem ele é? – perguntou Dinis, olhando para Gaspar.

-Não, nunca o vi na sua forma humana. Mas também apenas sigo o rasto de cadáveres que ele deixa no seu caminho. Evito cruzar-me no caminho dele. – respondeu Gaspar com algum receio no olhar.

-Mas, por que  me fez pensar que eu tinha morto aquele rapaz?

-Porque, ele quer que tu completes a transformação. Que tu atinjas o auge do teu poder para que ele depois possa tira-lo de uma só vez. – respondeu Gaspar.

-Então está decidido. A Ema não pode completar a transformação! – disse rapidamente Dinis.

-Pelo contrário. Se ela quer ter alguma hipótese contra esse alpha e vencer, vai ter que completar a transformação. – disse Gaspar. – E eu posso ajuda-la.

Olá. Neste capítulo deu para perceber a história a volta da família de Ema e até conhecemos o primo dela, Gaspar. Também foi revelado o aparecimento de um novo alpha (um verdadeiro lobo demónio)  que quer matar Ema para ficar com o poder dela. O que acharam? O que acham que agora vai acontecer? bjs espero que tenham gostado do capítulo.

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publicado às 13:19

PARASSÓMNIA "Capítulo 11"

por Silver Sky, em 08.03.17

 

 

 Tyler Joseph (Twenty one pilots) -> cliquem ;)

Capítulo 11

Os dois saíram do hospital. Ema encontrava-se com uma expressão pensativa.

-Tu não vais acreditar no que aquele louco te disse, pois não? – perguntou Dinis, olhando para ela.

-Eu não posso completar a transformação. – disse rapidamente Ema, virando-se para ele. – Dinis, tu tens que me matar, antes que isso que aconteça.

-Vejo que acreditaste mesmo naquilo que aquele homem disse. – disse Dinis, suspirando. – Ema, tu não vez que ele inventou aquilo tudo? Ele é louco. Não sabe o que diz.

Mas Ema ignorou as palavras de Dinis e continuou a dizer:

-Dinis, tu tens que prometer! Tens que prometer que o fazes! – olhando para ele com uma expressão aterradora e desesperada.

 

XXX

 

Ema abriu imediatamente a porta a Dinis.

-Trouxeste? – perguntou Ema ansiosa, enquanto Dinis entrava em casa.

-Sim. Está aqui. – respondeu Dinis, tirando a arma do bolso do casaco. – É do meu pai. Não foi nada fácil encontra-la.

-Perfeito! – disse Ema, afastando-se. – Agora sabes o que tens que fazer, Dinis.

-Pensei que não estivesses a falar a sério sobre o assunto de te matar. – disse Dinis, olhando confuso para ela.

-Nunca falei tão a sério em toda a minha vida! – disse Ema com uma expressão sombria e séria. – Se eu matei aquele rapaz sem completar a transformação, imagina quando eu completar a transformação…poderei massacrar a cidade inteira!

-Tu não matas-te aquele rapaz, Ema! O Dr. Baltasar disse que tu estas simplesmente a vivenciar sintomas de parassómnia. Como sonambulismo, alucinações, pesadelos… - Dinis tenta chamar Ema a razão.

-O Dr. Baltasar pensa que aquilo que a minha avó escreveu sobre  a minha família é apenas uma história. Mas, Dinis, como podes ver tudo é real!

 

XXX

 

Ema e Dinis passaram o serão na sala a jogar as cartas. Dinis lançou a última carta. A carta da vitória.

-E pela segunda vez consecutiva eu GANHO! – disse Dinis feliz e orgulhoso com um ar vitorioso, agarrando em todo o dinheiro que estava em cima da mesa.

Ema revirou os olhos, deixando escapar um suspiro de frustração e dizendo:

-Porque é que te dei ouvidos quando tu propuseste jogar a dinheiro?

Dinis limitou-se a rir.

De repente sentiu um mau estar. A sua temperatura corporal subiu repentinamente, como se o seu sangue estivesse a ferver.

Ema automaticamente retraiu-se para frente, dobrando-se de dor.

-Ema, tu estas bem? – perguntou Dinis preocupado, aproximando-se dela.

-Está a acontecer, Dinis! – respondeu Ema em sofrimento sem conseguir olhar para ele. – A transformação está acontecer!

Dinis olhou alarmado para a janela.

-Mas hoje é lua crescente! – falou a seguir confuso, voltando a olhar para Ema.

-Dinis, tu precisas de me matar! – disse a seguir Ema, conseguindo finalmente olhar para ele.

Dinis ficou a olhar para Ema sem qualquer reação. Parecia que naquele momento todos os seus músculos, incluindo o seu cérebro tinham congelado.

Ema rapidamente agarrou na arma (que se encontrava sobre a pequena mesa central de madeira) e colocou-a na mão de Dinis. A seguir Ema encostou a arma contra a sua própria testa. A mão de Dinis começou a tremer.

-Dispara! – pediu Ema, fixando o seu olhar no olhar de Dinis.

Dinis engoliu em seco e respirou fundo, mas acabou por fechar os olhos, abanando a cabeça como forma de negação.

-Não! – exclamou a seguir Dinis assustado, voltando a abrir os olhos e olhando para Ema. – Tem que haver outra solução, Ema!

Dinis pousou novamente a arma em cima da pequena mesa central de madeira e foi depois buscar as correntes de ferro. A seguir ajudou Ema a levantar-se do chão e sentou-a depois numa cadeira, amarrando-a com as correntes de ferro.

Mas a dor de Ema tinha começado a piorar. Ela sentia como se todos os seus ossos tinham começado a partir. Gritava desesperada e em sofrimento. Dinis sem saber o que fazer olhava para ela assustado, tentando manter a calma, ao mesmo tempo que arranjava uma solução o mais rápido possível. Mas de repente os olhos de Ema ganharam um brilho vermelho e os suas unhas transformam-se em garras.

-Estou quase a completar a transformação! – falou Ema com uma voz rouca. – Tens que me matar, Dinis.  Por favor! – suplicou olhando para ele.

Dinis abanou a cabeça como negação.

-Tens que o fazer! MATA-ME! – gritou Ema com uma voz mais rouca e um olhar sombrio.

Dinis impulsivamente beijou Ema.

Ema arregalou os olhos com a atitude do amigo, mas começou a voltar ao normal.

-Porque fizeste isso? – perguntou Ema, olhando muito confusa para Dinis que ainda se encontrava muito próxima dela.

-Bem… - começou por dizer Dinis nervoso a medida que se afastava de Ema. – Não sei porque o fiz. Mas há uns tempos li na internet que suster a respiração pode parar um ataque de pânico. E quando te beijei…tu sustes-te a respiração e voltaste ao normal. – Dinis terminou coçando a nuca da cabeça sem jeito.

-Dinis, brilhante da tua parte agires como se eu estivesse a ter um ataque de pânico! – disse rapidamente Ema radiante. – Mas desta vez resultou e para as próximas vezes? Como fazemos? – perguntou ela ficando com um ar mais sério. – Não me podes estar sempre a beijar!

De repente os dois trocaram um olhar encavacado.  Ema estava claramente arrependida pela última frase que tinha dito. Tinha saído de forma errado.

-Bem…o que eu queria dizer…é que temos que ter uma solução mais fiável…permanente. – disse rapidamente Ema nervosa.

-Eu sei aquilo que querias dizer, Ema. E não te preocupes, nós vamos arranjar uma solução permanente. – respondeu Dinis com um sorriso. – Mas o melhor é ganhar uma batalha de cada vez. E o que interessa é que hoje conseguimos impedir a tua transformação. Por isso, devíamos ir comemorar.

-Sim, tens razão. – disse ela, sorrindo também.

-Ok, sendo assim vamos jantar fora e pagas tu como é claro! – disse a seguir Dinis com um ar divertido.

-Nem pensar! – protestou rapidamente Ema.

-Sendo assim eu não te tiro as correntes. – falou depois Dinis, encolhendo os ombros com um sorrisinho trocista.

 Bom o que acharam deste capítulo? Intenso, romântico, fofo? Eu achei as três coisas. E por que será que a Ema se começou a transformar em lua crescente? Mas eu admito que este é o meu capítulo preferido e não é porque o escrevi hahahah. bjs boa leitura

p.s este capítulo foi um pouquinho inspirado em duas cenas de uma série que eu vejo, teen wolf. Uma cena foi entre Stiles e Lydia e a outra foi entre Stiles e Malia.

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publicado às 16:16

PARASSÓMNIA "Capítulo 10"

por Silver Sky, em 01.03.17

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Capítulo 10

 

Eram cinco da manhã. Ema dormitava no sofá com a televisão ligada, quando batem à porta.

Ema acordou com o barulho e foi abrir.

Dinis entrou em casa com um taco de basebol numa das mãos e na outra uma corrente de ferro.

-Dinis, o que estas aqui a fazer? São cinco da manhã! – disse Ema, olhando para o amigo confusa.

-Eu sei! Passei a noite toda a fazer pesquisa na internet! – exclamou Dinis com um comportamento hiperativo e as pupilas dilatadas.

-A pesquisar sobre o quê? – perguntou Ema, fechando a porta atrás de sim

-Sobre a tua condição. Se fores mesmo um lobisomem temos que saber como agir quando te transformares.

-Quanta cafeína tu ingeriste? Só por curiosidade?

-Cinco cafés…ou foram dez? – respondeu Dinis confuso.

-Bem, eu acho que é melhor sentarmo-nos um pouquinho. – diz rapidamente Ema.

Os dois acabam por se sentarem no sofá e Dinis coloca o taco de basebol e as correntes de ferro no chão.

-Então, diz-me lá, o que encontraste na tua pesquisa? – perguntou Ema, olhando com uma certa curiosidade para Dinis.

-Várias coisas! – respondeu Dinis muito entusiasmado. – Descobri que existe uma planta tóxica para os lobisomens. Chama-se acónito. Sabias disso?

-Não, não sabia. – respondeu Ema, abanando a cabeça. – Mas é muito interessante.

-E sabias que a forma de matar um lobisomem é com uma bala ou espada de prata?

-Hum…acho que isso é conhecimento geral. Toda a gente sabe isso, Dinis. – respondeu Ema, arqueando a sobrancelha.

-Oh…sim, tens razão. – disse Dinis com um sorriso sem jeito.

Ema a seguir desviou o olhar para o chão e franziu a testa ao ver as corrente de ferro e o taco de basebol.

-Dinis, para quê é que queres isso? – perguntou Ema, olhando depois para o amigo.

-Bem, o taco de basebol é para mim e…as correntes de ferro na verdade são para ti. Caso tu…

-Me transforme. – Ema terminou a frase do amigo.

Dinis sem jeito assentiu com cabeça.

-Bem, eu não sei nada sobre transformação. Mas conheço uma pessoa que pode saber mais sobre lobisomens do que nós sabemos.

-Quem? – perguntou Dinis curioso.

-Digo-te pelo caminho. Vamos? – respondeu Ema.

-Sim, claro. – respondeu Dinis entusiasmado.

XXX

Ema e Dinis pararam a frente do hospital.

-A pessoa que tu conheces e que sabe mais sobre lobisomens, está internada no hospital? – perguntou Dinis, olhando para Ema confuso.

-Para dizer a verdade está internado na ala psiquiatra do hospital. – respondeu Ema, mordendo o lábio.

-Um maluquinho, sendo assim. Ótimo, não podia ser melhor. – disse Dinis num tom sarcástico e desesperado. – Ema, onde estas com a cabeça para pensares que um maluquinho poderá dar-te respostas fiáveis?

-Por acaso tu conheces alguém que tenha conhecimento sobre este assunto? – perguntou rapidamente Ema ao amigo.

-Não, não conheço.

-Ok. Então não temos outra escolha, Dinis.

Os dois acabaram por entrar no hospital, registando-se no balcão da entrada e sendo depois reencaminhados para ala psiquiatra, mais especificamente a sala de convívio da ala psiquiatra.

Ao entrar naquele sítio, Ema lembrou-se dos dias que passara aqui, mas preferia não pensar neles, esquece-los para sempre. O ambiente estava calmo. Apenas havia meia dúzia de doentes que se encontravam entretidos com as suas atividades de desenho e pintura. Entre os doentes estava Sr. Lobo, sentado num dos sofás da sala de convívio, muito quieto a olhar fixamente para a parede branca que se encontrava a sua frente.

-Ali está ele! – disse Ema, apontando discretamente para o Sr. Lobo.

-Parece estranhamente tranquilo. – disse Dinis, olhando com alguma relutância para ele.

Ema e Dinis caminharam na direção do homem, parando a frente dele.

-Sr. Lobo… - disse Ema, olhando para ele.

O homem olhou para ela e começou imediatamente a gritar com um expressão assustada no olhar.

-Por favor, não me mates! Por favor! – suplicava Sr. Lobo, ajoelhando-se a frente de Ema.

Os poucos enfermeiros que se encontravam na sala de estar começaram a olhar.

-Ema! Tens que fazer alguma coisa! – disse Dinis aflito, olhando para os enfermeiros.

Ema abaixou-se até os seus olhos ficarem ao nível dos olhos do Sr. Lobo.

-Pare de gritar! – falou Ema de forma firme, aparecendo um pequeno brilho vermelho nos olhos dela.

O homem calou-se imediatamente e voltou-se a sentar no sofá. Os enfermeiros viraram as caras e foram-se embora.

A seguir Ema voltou-se a levantar, adquirindo uma postura mais descontraída.

-Sr. Lobo eu não lhe quero fazer mal. Apenas quero-lhe fazer algumas perguntas. -disse ela com tom de voz mais suave, demostrando no final um sorriso simpático.

Sr. Lobo permaneceu quieto, ficando a olhar para ela.

-O que sabe sobre lobisomens? – perguntou finalmente Ema.

-Criaturas perigosas. Metade homem, metade lobo. Criaturas condenadas a andar sob a luz prateada da lua cheia. – respondeu Sr. Lobo com uma expressão sombria.

-E que tal dizer-nos uma coisa que nós ainda não sabemos? – disse rapidamente Dinis impaciente.

Ema olhou para o amigo e este encolheu os ombros.

-Conta a lenda que quem completar a transformação, o seu lado humano desaparecera para sempre e transformara-se no lobo demónio. Uma criatura cruel, sem piedade, ou qualquer compaixão. – disse a seguir o homem ainda com um olhar sombrio, virando-se para Ema.

Ema engoliu em seco e Dinis estremeceu com as palavras do Sr. Lobo.

Bem, o que acharam de Dinis com aquelas coisas todas? Ele está mesmo empenhado para ajudar Ema, até diria empenhado demais ahahah. Um pouco paranóico. Mas não é todos os dias que descobres que um amigo teu é um lobisomem. E a conversa que Ema teve com o Sr.Lobo? Será verdade aquilo que ele disse? Ou ele é simplesmente louco?

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publicado às 20:05

PARASSÓMNIA "Capítulo 9"

por Silver Sky, em 22.02.17

 Twenty one pilots -> sabem o que fazer! kiss

 

Capítulo 9

 

Dr. Baltasar fez o que Ema lhe pediu há dois dias e trancou-a no quarto durante o dia todo. Ao chegar a noite, Ema sentiu-se nervoso e inquieta, no entanto, quando a lua cheia atingiu o ápice do céu, nada aconteceu. Apenas ouvia os uivos desesperados do Sr. Lobo e como o enfermeiro do outro dia disse, naquela noite a ala psiquiatra do hospital tinha-se transformado num autêntico circo com pessoas a gritar, a chorar, ou a gemer. E para Ema ouvir tanta dor e sofrimento ao mesmo tempo era simplesmente doloroso. Era como se ela conseguisse sentir toda aquela dor dentro dela. Ao primeiro feixe de luz de sol, Dr. Baltasar abriu a porta do quarto de Ema e encontrou-a sentada na cama com os braços à volta dos joelhos, olhando pensativa para a janela.

-Como te sentes? – perguntou o doutor, aproximando-se dela. – Como foi a transformação?

Ema olhou para o Dr. Baltasar e acabou-se por levantar finalmente da cama.

-Não aconteceu nada. – respondeu depois Ema desanimada.

-Está decidido. Hoje assino o teu termo de responsabilidade e vais para casa. Tu não pertences aqui, Ema. – disse Dr. Baltasar, olhando seriamente para ela.

 

XXX

 

Ema encontrava-se na sala da sua casa em frente do seu computador portátil a pesquisar na internet algo que pudesse encontrar sobre a sua família. Mas era um beco sem saída. Ema bufou de frustração e deixou cair cara sobre o teclado do computador.

De repente batem à porta. Ema acabou por ir abrir.

-Quando estavas a pensar dizer-me que tinhas saído do hospital? –perguntou Dinis com uma expressão zangada e chateada.

-Desculpa. Mas eu ia agora mesmo telefonar-te. – respondeu Ema arrependida.

-Podias-me ter telefonado antes de eu ter ido até lá visitar-te! Poupava uma viagem inútil de carro e evitava fazer figura de parvo! –falou Dinis ainda muito furioso, entrando pela casa a dentro.

-Eu sei, Dinis. E penso imensa desculpa por isso. Mas precisava de um tempo sozinha para pensar.

-E como estás? – perguntou Dinis agora com uma expressão preocupada.

-Eu, estou bem. – respondeu Ema com um pequeno sorriso.

-Ainda bem que tiveste juízo e saíste finalmente daquele lugar! – disse Dinis com uma expressão de alivio por Ema estar finalmente em casa.

Ema sorriu para o amigo e perguntou-lhe:

-Queres alguma coisa para beber? Água, sumo, cerveja?

-Pode ser uma cerveja.

Ema foi até a cozinha e regressou minutos depois com uma cerveja, entregando a Dinis.

Dinis deu um gole e os dois acabaram por se sentarem no sofá.

-Ema…porquê é que disseste que estavas amaldiçoada? – perguntou Dinis olhando para ela confuso.

Ema levantou-se e foi até mesa, agarrando no diário da sua avó e entregando-o a Dinis.

-Esse é o diário da minha avó. Ela escreveu aí que a minha família estava amaldiçoada.

-Que tipo de maldição, Ema? – perguntou Dinis, olhando intrigado para a amiga.

-Que o meu bisavô era um… lobisomem, que a minha tia-avó também era um…e que eu também sou um…lobisomem. – respondeu Ema, com uma expressão sombria.

-E tu acreditas nisso?

-Porque iria a minha avó mentir sobre isso?

-Há dois dias trás foi lua cheia… - Dinis ficou com um ar sério e fitou depois Ema.

-Não, Dinis. Eu não me transformei em nenhum lobo gigante. Se era isso em que estavas a pensar.

-Então podes estar enganada, Ema! – Dinis levantou-se do sofá com um brilho esperançoso no olhar.

-Infelizmente não estou enganada, Dinis. – falou Ema com uma expressão triste. -Eu sinto que dentro de mim existe algo…algo muito mau a crescer. Desejoso para se libertar. – Ema tinha agora um olhar sombrio.

-Ok. – disse Dinis, respirando fundo. – Independentemente daquilo que esteja a acontecer contigo, tu sabes que podes sempre contar comigo, Ema. Eu vou estar sempre aqui para ti e nós vamos arranjar uma forma de tu superares isso. Juntos. – Dinis sorriu depois para ela.

- Obrigada. Nem imaginas o quanto importante é para mim ouvir isso. – agradeceu Ema, devolvendo o sorriso ao amigo.

 

Bem parece que a teoria da Ema sobre a lua cheia não correu lá muito bem. Ela não se transformou em nenhum lobo. Será que ela enloqueceu mesmo? Será verdade ou é apenas tudo da imaginação dela? Agora que Dinis já sabe de tudo o que acham que vai acontecer?

 

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publicado às 16:58

PARASSÓMNIA "Capítulo 8"

por Silver Sky, em 15.02.17

 Twenty one Pilots -> já sabem o que fazer :)

 

Capítulo 8

 

Ema encontrava-se já na sala de visitas. Impaciente andava de um lado para o outro. Passado uns minutos, Dinis finalmente apareceu.

-Então, Dinis, trouxeste o diário? – perguntou Ema ansiosa aproximando-se dele.

-Sim, está aqui. – respondeu Dinis, entregando o diário para as mãos de Ema.

-És o maior, Dinis Bartolomeu Lopes! – exclamou Ema com um sorriso feliz, abraçando-o de seguida.

-Mas, Ema, para quê é que queres o diário da tua avó? – perguntou Dinis, olhando para ela confuso.

-Longa história. Mas eu acho que estou amaldiçoada. Depois explico-te melhor. Agora preciso de ir. – respondeu Ema, saindo apressada da sala de visitas.

 

XXX

 

Ema e Dr. Baltazar combinaram encontrarem-se no final do dia. Ela já se encontrava na sala de convívio (quase vazia) à espera do doutor.

-O que é tão importante que não podia esperar? – perguntou Dr. Baltazar, entrando na sala de convívio.

Para além deles os dois apenas só se encontravam mais três doentes na sala de convívio que tranquilamente pintavam um desenho.

Ema não respondeu e limitou-se a entregar o diário da sua avó ao doutor.

-O que é isto? – perguntou Dr. Baltazar, olhando para o diário e depois voltando a olhar para Ema.

-É o diário da minha avó. – respondeu Ema. – Existe uma parte no diário em que ela escreveu que o pai dela estava amaldiçoado. – Ema tinha um olhar sombrio.

-Amaldiçoado? – Dr. Baltasar instalou-se num dos sofás que existia na sala de convívio.

Ema sentou-se depois ao lado do doutor.

-Sim… - prosseguiu Ema. – Ela diz aí no diário que o pai dela era uma alma atormentada, acorrentada a lua e que nas noites em que a lua estava mais luminosa ele se transformava numa criatura das trevas.

Dr. Baltasar olhou fixamente para Ema.

-Tu estas a dizer que o teu bisavô era um lobisomem?

-Eu estou a dizer que como o meu bisavô eu também eu sou um…lobisomem.

-Ema… Desculpa usar este termo, mas é ridículo e não faz qualquer sentido o que estás a dizer. Lobisomens não existem.

Ema respirou fundo.

-A minha avó também escreveu no diário que a maldição era passada na família, de geração em geração. A irmã dela também sofria da mesma maldição que o pai delas.

Dr. Baltasar acabou por se levantar do sofá.

-Ema, tu não estas a pensar direito. Estas a pegar-te muito a essa história. Queres tanto encontrar uma explicação para aquilo que te está a acontecer, que estas disposta a acreditar no impossível.

-E se não for impossível? – Ema levantou-se também do sofá. – E se for real?

-Antigamente as pessoas acreditavam muito no misticismo. Quando alguém tinha um comportamento anormal, ou estranho, as pessoas acreditavam que essa pessoa estava possuída por um demónio, ou por um espírito maligno, uma criatura das trevas enviada pelo próprio diabo. Mas a verdade é que provavelmente a pessoa sofria de algum tipo de distúrbio mental.

-Não está a perceber, doutor. – disse rapidamente Ema com expressão quase desesperada. – Eu sinto que é verdade. Que é real…por isso daqui a dois dias o doutor vai ter que me trancar o dia e a noite toda no quarto, porque vai ser lua cheia.

 Olá. Bem, o que acharam desta nova revelação?! Será que Ema enloqueceu de vez?

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publicado às 20:19



Caindo das Estrelas

"Caindo das Estrelas" é o meu primeiro livro. Quem estiver interessado e quiser ler passe no site artelogy.com Obrigada