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Parassómnia "Capítulo 16"

por Silver Sky, em 13.04.17

 

 

 

Capítulo 16

 O cheiro de Dinis levou Ema e Gaspar até a zona industrial da cidade, parando à frente de um armazém de fabrico de automóveis onde o cheiro terminava.

-Tens a certeza que é aqui? – perguntou Gaspar, olhando para Ema.

-Apesar De eu ter quase morrido intoxicado por ter cheirado a sapatilha do Dinis…sim, tenho a certeza. – respondeu Ema com uma voz segura.

Gaspar olhou depois para o céu e falou:

-Lua Cheia. O momento em que o poder atinge o seu auge.

-Algum conselho antes de eu ir enfrentar um alpha demoníaco? – perguntou Ema, olhando para o primo.

-Sê tu própria. E eu estou a referir-me ao lobo que existe dentro de ti. Tens que o libertar sem medos, Ema. – respondeu Gaspar com uma expressão séria no rosto.

Ema respirou fundo e depois os dois entraram finalmente no armazém.

Cautelosamente começaram a movimentarem-se pelos carros inacabados.

-Consegues sentir o cheiro do Dinis? – perguntou depois Gaspar, olhando para ela.

-Sim. Por aqui! – respondeu Ema, seguindo em frente. Gaspar seguia.

Caminham alguns metros pelo armazém escuro, viram algumas vezes a direita e a esquerda e finalmente encontram-no. Dinis encontrava-se a uns metros deles, deitado no chão, parecia bem e consciente.

Ema e Gaspar correm imediatamente para junto dele.

-Como estás? – perguntou Ema preocupada, ajudando-o a levantar-se com a ajuda de Gaspar.

-Estou bem. – respondeu Dinis, sentindo-se apenas um pouco dorido.

De repente algo rápido passou por eles e segundos depois Ema foi atirada violentamente ao chão.

Atrapalhada e assustada Ema levantou-se e olhou à sua volta, enquanto Gaspar e Dinis permaneciam nos seus lugares muito quietos.

Da escuridão surgiu um homem com um brilho vermelho nos olhos.

-Dr. Baltasar? – exclamou Ema confusa.

Dinis e Gaspar também estavam perplexos.

O doutor com um sorriso malicioso e divertido aproximou-se dela.

-Ema, tenho que te dar os parabéns. – disse o Dr. Baltasar com um bater de palmas. – És a primeira pessoa que eu conheço que lutou contra a transformação.

-Eu não acredito! O doutor é que é o alpha lobo demónio? – falou Ema sem ainda conseguir acreditar.

-Confesso que foi inteligente da tua parte evitares dormir durante semanas. Isso, impediu que eu conseguisse entrar na tua mente. – disse o doutor exibiu um sorriso divertido e perverso.

-Era o doutor esse tempo todo?! Você era o monstro de olhos vermelhos dos meus sonhos?! – exclamou Ema chocada com uma mistura de fúria e confusão.

-Admito que me diverti muito entrar na tua cabeça e mexer com a tua mente. Já há muito tempo que não o fazia. – disse o Dr. Baltasar com um sorriso divertido e trocista. Mas chega de diversão. Tu tens uma coisa que eu quero! – falou depois com uma expressão sombria e ameaçadora.

-O meu poder de alpha nunca vai ser teu! – gritou Ema cheia de fúria e os seus olhos ganharam um brilho vermelho.

-Queres uma aposta? – respondeu-lhe o Dr. Baltasar com um sorriso provocador e trocista.

Ema cerrou os punhos cheio de ódio e correu na direção de Dr. Baltasar, pronta para atacar. Mas Dr. Baltasar é mais rápido e conseguiu desviar-se do ataque de Ema e contra-atacando logo de seguida com um golpe que atirou com Ema brutalmente ao chão. Ema cerrou os dentes com a dor e o brilho vermelho dos seus olhos desapareceu.

O Dr. Baltasar aproximou-se de Ema.

-Tu és fraca! Patética! Não mereces ser um alpha! – falou a seguir o Dr. Baltasar com

uma voz sombria.

Um brilho vermelho reapareceu no olhar do doutor e a pele dele começou a derreter, aparecendo depois um pelo preto. Caiu depois de quatro ao chão e os pés e as mãos transformaram-se em enormes matas. A boca começava a dar lugar a um focinho comprido com grandes dentes e passado uns minutos o Dr. Baltasar tinha-se transformado num lobo preto gigante.

Soltou a seguir um rugido glorioso e com uma atitude vitoriosa e cheia de poder colocou uma das patas da frente em cima do peito de Ema, pressionando com força a caixa torácica dela.

Ema soltou um grito.

-Ele vai mata-la! – exclamou Dinis apavorado. – Temos que a ajudar! Fazer alguma coisa! – olhou depois para Gaspar.

-Não há nada que possamos fazer, Dinis. Agora é com a Ema. Só ela o consegue derrotar. – respondeu Gaspar, olhando para ele.

-EMA! -gritou Dinis em pânico.

Ao ouvir o grito de Dinis, Ema sentiu uma força dentro dela e os seus olhos ganharam novamente um brilho vermelho. Agarrou na pata do Dr. Baltasar e removeu-a do seu peito. Rodou depois para o lado e a para do doutor caiu pesadamente no chão. Num salto Ema levantou-se do chão e ficou de frente para o lobo preto gigante. Cerrou os punhos e gritou. A raiva apoderou-se dela e um calor e uma dor envolveram o seu corpo. Ema caiu de quatro ao chão e a sua pele começou a derreter. Pelos cinzentos começaram a aparecer. A sua orelhas começaram a adquirir uma forma pontiaguda. O seu rosto adquiriu feições animalescas, a boca deu lugar a um focinho cheio de dentes mortíferos e o seu corpo começou a transformar-se. Uma enorme cauda cinzenta apareceu e as mãos e os pés tornaram-se em patas grandes com garras afiadas. Segundos depois Ema tinha-se transformado num lobo cinzento gigante.

-Ela completou a transformação! – exclamou Gaspar com uma expressão animada e orgulhosa, enquanto Dinis tinha um ar assustado e ao mesmo tempo surpreso.

Ema soltou um rugido desafiador e Dr. Baltasar respondeu-lhe com um rugido provocador. Olharam-se por uns segundos e depois avançaram um para outro. A batalha tinha começado. Nos minutos a seguir trocaram patadas e dentadas no pescoço, nas patas, no focinho. Tanto Ema como o Dr. Baltasar sangravam, começando a ficar cansados.

Dinis e Gaspar observavam de longe, muito nervosos a luta. Dinis não conseguindo ver Ema a sofrer, tapava às vezes a cara com as mãos.

A luta continuava. Ema conseguiu desviar-se de um ataque do Dr. Baltasar e a seguir derruba-o brutalmente ao chão. Dr. Baltasar tentou colocar-se de pé, mas Ema como uma das patas da frente obrigou-o a permanecer no chão. A seguir num movimento rápido mordeu o pescoço do doutor com os seus enormes dentes, rasgando-lhe brutalmente a garganta. Dr. Baltasar voltou a sua forma humana e começou a esvaziar-se em sangue até morrer.

Ema afastou-se dele e voltou-se para Gaspar e Dinis (que olhava horrorizado para ela). A seguir ela também voltou a sua forma humana. Tinha o rosto, a boca e o resto do corpo coberto em sague, algum era dela, outro era do Dr. Baltasar. Olhou uma última vez para Dinis e caiu depois inconsciente ao chão.

Dinis e Gaspar preocupados correram para junto dela.

-Ema, eu estou aqui. – disse Gaspar ajoelhado ao lado dela, abraçando-a com todas as forças. – Não te preocupes. Vais ficar bem.

bem o que acharam da revelação de quem é o alpha? se calhar até já desconfiavam hahah. Mas espero que tenham gostado. Desculpem o atraso. Não fiz a revisão do capítulo. E é só para dizer que para a semana é o último capítulo de PARASSÓMINIA.

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publicado às 19:59

Parassómnia - Capítulo 14

por Silver Sky, em 29.03.17

 cliquem :)

Capítulo 14

Ema acordou no sofá. A sala de estar estava submersa na escuridão.

Junto à janela encontrava-se o Dinis a olhar para o céu estrelado com uma expressão serena.

-Onde está o Gaspar? – perguntou Ema, endireitando-se do sofá.

Dinis virou-se para a encarar.

-Ele já se foi embora.

-E tu porquê é que ficaste? – perguntou Ema, olhando confusa para o amigo.

-Queria ter a certeza que ficavas bem. – respondeu Dinis, sorrindo e sentando-se depois no sofá ao lado de Ema.

Ema sem conseguir evitar olhou para as marcas arroxeadas que Dinis tinha no pescoço. Ao vê-las sentiu um aperto no coração. Sentiu nojo e raiva dela própria. Como ela poderia ter feito aquilo ao seu amigo?

-Dinis…desculpa por te ter magoado. – disse depois Ema com um sentimento cheio de culpa.

-Ema, já te disse que não faz mal. Eu estou bem. – respondeu Dinis, olhando para ela.

-Claro que faz mal! – disse rapidamente com um ar furioso. – Eu poderia ter-te matado, Dinis!

-Mas não o fizeste, Ema! Por isso para pensar nisso.

-Não consigo. – disse Ema, abanando a cabeça angustiada. – Por isso, acho que é melhor afastarmo-nos. Deixarmo-nos de ver. É o melhor para ti. – Ema acabou por olhar, tristemente para Dinis.

-Queres que deixemos ser amigos? – perguntou Dinis com uma expressão séria e também triste enquanto olhava para ela.

-Se não fores mais meu amigo, ficas seguro, Dinis!

-Eu, não me vou afastar de ti, Ema. Eu confio em ti! – Dinis impulsivamente agarrou na mão de Ema. – Eu sei que para a próxima vais conseguir controlar-te.

Ema limitou-se a olhar para ele com uma expressão fechada e angustiada enquanto ele lhe exibiu um sorriso simpático.

 

XXX

 

Gaspar prendia os pulsos de Ema com fita adesiva.

-Isto é mesmo necessário? – perguntou-lhe Ema, nervosa com o novo plano de Gaspar para a fazer completar a transformação.

-Confias em mim? – perguntou a seguir Gaspar com um sorriso.

-Não! – respondeu rapidamente Ema. – Da última vez que confiei, tu fechaste-me dentro roupeiro. Lembras-te?

Gaspar sorriu divertido.

-Pensei que isso já fosse águas passadas.

Entretanto, Dinis apareceu na sala de estar completamente equipado com um capacete na cabeça, joelheiras, braçadeiras e um taco de basebol num das mãos.

Gaspar e Ema olharam para ele confusos.

-Para quê é isso? – perguntou a seguir Ema.

-Desta vez prefiro não arriscar. – respondeu Dinis.

-Mas, pensei que confiasses em mim. – disse depois Ema enrugando a testa confusa.

-E, confio. Mas assim fico mais descansado. E nunca ouviste o ditado? Mais vale prevenir do que remediar!

Gaspar riu-se e terminou de prender os pulsos de Ema.

-Prontinho. Podemos começar. – falou a seguir Gaspar.

-O que vai ser desta vez? Vais deita-la a uma piscina com a mãos e pés amarrados e vamos vê-la afogar-se lentamente? – perguntou Dinis num tom irónico.

Gaspar limitou-se a retribuir-lhe um sorriso divertido e respondeu-lhe depois:

-Essa é uma ideia bastante boa, mas tenho outra coisa em mente.

-Qual? – perguntou Dinis ansioso e nervoso.

Gaspar ignorou a pergunta de Dinis e colocou-se de frente para a Ema que se encontrava de pé.

-Desde que eu não volte a ficar trancada no roupeiro, por mim tanto faz. – disse depois Ema.

Gaspar sorriu e soqueia depois Ema bem na barriga, que caia de joelhos, sentindo uma enorme dor a atingi-la no estômago.

-Oh boa! – disse rapidamente Dinis nervoso. – É essa a tua brilhante ideia? Espancar uma rapariga indefesa com os pulsos presos com fita adesiva até à morte?

- A Ema, de rapariga indefesa não tem nada. – respondeu Gaspar, com um sorriso divertido, olhando para Dinis.

A dor no estômago finalmente desapareceu e Ema conseguiu respirar de alívio. Mas Gaspar não ia terminar por ali. Sem qualquer aviso prévio soqueia a cara de Ema, virando-lhe a cara para o lado.

Dinis engoliu em seco com a vontade de soltar Ema e fazer Gaspar parar. Mas ele sabia que Ema não queria que ele fizesse isso. Gaspar estava só a tentar ajudar, mesmo que os seus métodos de ensino não fossem os mais seguros e normais.

Sangue apareceu na boca de Ema e ela deixou depois a cabeça cair para baixo. Começava a sentir uma dor e um calor enorme a invadir o seu corpo. O coração tinha começado a bater mais depressa, era como se conseguisse ouvir o sangue a circular depressa nas suas próprias veias. Sentia um frenesim dentro dela, como se algo estivesse ansioso para se libertar.

Gaspar cautelosamente aproximou-se mais de Ema e baixou a cabeça, até ficar à altura da cabeça dela, sussurrando-lhe depois ao ouvido com uma voz sombria e ameaçadora

-O alpha vai-te encontrar, vai-te matar e depois quando tiver acabado contigo...vai atrás do Dinis e acredita em mim… vai-lhe rasgar a garganta e vai-lhe arrancar a cabeça e tu não vais poder fazer nada para o impedir, porque já não estás aqui!

Ema ao ouvir aquelas palavras sentiu uma incontrolável raiva a ponderar-se de si. A envolve-la como um manto. E todos os seus instintos de animal vieram ao de cima e o animal finalmente se libertou. Ema levantou a cabeça e os seus olhos tinham um brilho vermelho sombrio. Gaspar dá automaticamente um passo para trás e Dinis faz involuntariamente o mesmo, agarrando fortemente o taco de basebol contra o seu peito. A seguir Ema libertou-se da fita adesiva que prendia os seus pulsos e tornozelos e levantou-se lentamente, olhando fixamente para Gaspar e Dinis. As feições do seu rosto eram animalescas e demoníacas. Os seus dentes estavam enormes e as suas tinham-se transformado em normas garras. O seu olhar era de pura raiva e ameaçador.

-Ainda achas que ela é uma rapariga inofensiva? – disse Gaspar sarcasticamente, olhando para Dinis.

Ema soltou a seguir um rugido e avançou em direção de Gaspar, agarrando-o pelo pescoço e atirando-o violentamente contra o sofá. Depois ela virou-se automaticamente para Dinis.

-Por favor, Ema, não me faças usar isto! – disse Dinis assustado, estendendo o taco de basebol, de forma a colocar o taco no espaço vazio entre ele e ela.

Ema ignorou Dinis e com um simples movimento das suas garras tirou o taco de basebol das mãos dele, atirando-o para o chão.

Dinis aterrorizado recuou automaticamente um passo para trás.

Ema deu um passo em frente na direção dele. Os seus olhos vermelhos brilhantes estavam mais intensos e mais enraivecidos. Ela a seguir abriu a boca pronta para o atacar.

Mas Dinis gritou desesperado, encolhendo-se:

-EMA!

A voz de Dinis atingiu Ema como um choque elétrico, fazendo-a despertar. De repente a cor dos olhos de Ema voltaram ao normal. Um castanho escuro. As garras também desapareceram e os dentes voltaram ao tamanho normal. O seu rosto perdeu as feições animalescas e Ema era novamente ela.

Dinis respirou de alívio e abraçou-a com um sorriso.

-Conseguiste! Eu, sabia conseguias! – disse depois ele excitadíssimo e orgulhoso.

-Sim, consegui. – disse Ema, ainda com dificuldades de acreditar que tinha conseguido controlar a sua transformação.

-Eu, sempre acreditei em ti, priminha. – disse a seguir Gaspar, aproximando-se dos dois com um sorriso rasgado.

 

XXX

 

 Depois de tomar um banho, Ema encontrava-se no quarto a olhar-se ao espelho com uma expressão pensativa e séria, quando Gaspar entrou no quarto.

-O Dinis já foi embora, mas ele disse que ainda volta esta noite. – falou Gaspar, aproximando-se de Ema. – Como te sentes?

-Bem. – respondeu Ema, acabando de secar o cabelo com a toalha e atirando-a depois para cima da cama.

-Hoje estiveste muito bem. Estas no bom caminho. Não tarda nada e já vais conseguir completar a transformação. – disse Gaspar, sorrindo para ela.

-E tornar-me num lobo demónio. – disse Ema com um olhar triste.

-Não necessariamente. Podes completar a transformação sem te transformares num lobo demónio.

-Como assim? – perguntou rapidamente Ema curiosa com um pequeno sentimento de esperança a aparecer dentro do seu coração.

-Só aqueles que são cruéis e tem um coração mau é que se transformam em lobos demónios quando completam a transformação. Mas eu sei e acredito que o teu coração é bom, puro e cheio de bondade, priminha. – respondeu Gaspar, apontando para o peito de Ema.

-Bom, sendo assim sinto-me um pouquinho melhor…mais otimista. – disse por fim Ema com um meio sorriso.

-Mas, Ema, tenho uma coisa que te quero perguntar. – disse depois Gaspar com uma pequena faísca de curiosidade a aparecer no olhar.

-O quê?

-Como conseguiste voltar ao normal?

-Foi a voz de Dinis. Lembrei-me como ele me fazia rir…como ele me fazia feliz. Como me fazia sentir humana. – sem se perceber, Ema deixa escapar um sorriso feliz.

-Tu gostas dele? – perguntou rapidamente Gaspar.

Ema ao ouvir aquela pergunta o seu corpo congelou e o seu coração disparou.

-Não. Ele é o meu melhor amigo!

-Sabes, priminha, as maiores histórias de amor, nasceram a partir de grandes. E, sem dares por isso, num piscar de olho a amizade transforma-se em amor e acabas por te apaixonar. – disse a seguir Gaspar com um sorriso divertido.

Ema engoliu em seco.

desculpem pelo atraso. Não deu para rever o capítulo por isso sorry :/. Espero que gostem do capítulo. Neste capítulo deu para ver mais um poquinho do treino de Ema para completar a transformação e também mostrou um pouco da relação de Ema e Dinis.

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publicado às 23:53

PARASSÓMNIA "Capítulo 12"

por Silver Sky, em 15.03.17

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Capítulo 12

Ema e Dinis caminhavam pelo parque de estacionamento.

-Eu não acredito que me fizeste mesmo pagar o jantar! – disse Ema com uma expressão indignada olhando para Dinis.

-Eu mereci! Salvei a minha vida e impedi que te transformasses num lobo demónio! – respondeu o amigo com um sorriso divertido.

Ema limitou-se a revirar os olhos.

-Mas existe uma coisa que eu não percebo. – falou depois Ema com um ar pensativo.

-O quê? – perguntou Dinis, olhando para ela com curiosidade.

-Não percebo porque me comecei a transformar numa lua crescente? – Ema olhou para céu, fitando a lua.

-Bem, uma vez no liceu tive que fazer um trabalho sobre as fases da lua e li num livro que a lua crescente representa a transformação do real, do não tangível em tangível. O que se formos ver encaixa perfeitamente na tua situação. – respondeu Dinis.

Mas Ema tinha parado de andar.

-Ema?! O que foi? Porque paras-te? – perguntou Dinis, olhando confuso para ela.

Mas Ema não respondeu e um brilho vermelho apareceu nos seus olhos.

-Estas assustar-me…porquê é que os teus olhos estão vermelhos? – perguntou Dinis num tom receoso.

-Quem és tu? – perguntou a seguir Ema com uma voz sombria e rouca, virando-se para trás e fitando a escuridão.

-Quem? Para quem estas a falar? Não está aqui ninguém! – disse Dinis, virando-se igualmente para trás e começando a ficar seriamente assustado. – Não me digas que começaste novamente a ter alucinações?!

-Eu vim em paz, priminha. – respondeu uma voz enquanto da escuridão surgia um rapaz com um brilho amarelo nos olhos.

-O que queres? – perguntou a seguir Ema com uma voz firme, ainda com um brilho vermelho nos olhos.

-Apenas quero ajudar. Imagino que a transformação não esteja a ser nada fácil. – respondeu o rapaz com um sorriso, ao mesmo tempo que desaparecia o brilho amarelo dos seus olhos.

XXX

Dinis e Gaspar encontravam-se sentados no sofá, enquanto Ema anda de um lado para o outro.

-Gaspar, como é que eu nunca ouvi falar de ti? – perguntou Ema confusa, olhando para ele.

-A nossa família gosta dos seus segredos. – respondeu Gaspar a sorrir.

Ema finalmente se senta numa cadeira, olhando para Gaspar.

-Tu ainda não completaste a transformação. – falou novamente Gaspar, olhando para Ema já com um ar mais sério.

-E nem vou completar. – respondeu rapidamente Ema. – Eu não me quero transformar num lobo demónio!

Gaspar soltou uma gargalhada divertida.

Ema e Dinis olharam para ele confusos.

-Qual é a piada? – perguntou a seguir Ema.

-Vejo que andaste a falar com o Sr. Lobo. – respondeu Gaspar, voltando a sorrir.

-Tu conheces o Sr.Lobo? – Ema franziu a sobrancelha.

-Sim. Ele é meu pai, teu tio. Um lobisomem também. Mas a medicação que toma impede-o de se transformar.

-E porquê ele está internado? – perguntou Ema confusa.

-Porque a nossa família pensou que ele era louco. Como deves calcular a nossa família é conhecida pelos seus casos de insanidade. – respondeu Gaspar esboçando um sorriso divertido.

-Sim, eu li o diário da nossa avó. O nosso bisavô e a nossa tia-avó também eram lobisomens.

-Eu tenho uma pergunta. – pronunciou-se pela primeira vez Dinis. Ema e Gaspar que se tinham esquecido completamente da sua presença olharam para ele. – Porquê é que a cor dos vossos olhos é diferente? Porquê é que os olhos da Ema são vermelhos e os teus, Gaspar, são amarelos?

-Porque ela é um alpha e eu sou um beta. – respondeu Gaspar a Dinis, olhando depois para Ema.

-Isso é fixe! Mesmo fixe! Um alpha! – disse rapidamente Dinis com uma expressão entusiasmada.

-Um alpha!? Porquê é que eu sou um alpha? – perguntou Ema franzindo a sobrancelha.

-Na nossa família o poder de alpha é passado de geração em geração. Mas ninguém sabe quem é o próximo alpha até ele se revelar. O meu pai era o alpha da geração dele e tu és o alpha da nossa geração. – respondeu Gaspar com uma expressão estranhamente mais séria.

-Isso é um máximo! – exclamou Dinis encantado.

Ema com uma expressão pensativa levantou-se da cadeira e foi até a janela.

-O rapaz que eu matei faz parte da revelação de eu me tornar alpha? – Ema olhou para Gaspar.

Gaspar levantou-se também do sofá e foi ter com ela.

-Não, Ema. Tu já nasceste como alpha. Está no teu sangue, faz parte de ti…e tu não mataste aquele rapaz.

Ema olhou confusa para o primo.

-Então quem foi? – perguntou Dinis curioso levantando-se de rompante do sofá.

-Outro alpha. Um poderoso e muito perigoso lobisomem. Eu tenho vindo a segui-lo faz algum tempo. E ele tem matado muitos alphas pelo país fora. Ele deseja poder mais do que tudo na vida. Ele é um verdadeiro lobo demônio. Por isso, eu vim para cidade para te avisar, Ema!

-E tu sabes quem ele é? – perguntou Dinis, olhando para Gaspar.

-Não, nunca o vi na sua forma humana. Mas também apenas sigo o rasto de cadáveres que ele deixa no seu caminho. Evito cruzar-me no caminho dele. – respondeu Gaspar com algum receio no olhar.

-Mas, por que  me fez pensar que eu tinha morto aquele rapaz?

-Porque, ele quer que tu completes a transformação. Que tu atinjas o auge do teu poder para que ele depois possa tira-lo de uma só vez. – respondeu Gaspar.

-Então está decidido. A Ema não pode completar a transformação! – disse rapidamente Dinis.

-Pelo contrário. Se ela quer ter alguma hipótese contra esse alpha e vencer, vai ter que completar a transformação. – disse Gaspar. – E eu posso ajuda-la.

Olá. Neste capítulo deu para perceber a história a volta da família de Ema e até conhecemos o primo dela, Gaspar. Também foi revelado o aparecimento de um novo alpha (um verdadeiro lobo demónio)  que quer matar Ema para ficar com o poder dela. O que acharam? O que acham que agora vai acontecer? bjs espero que tenham gostado do capítulo.

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publicado às 13:19

PARASSÓMNIA "Capítulo 4"

por Silver Sky, em 18.01.17

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Capítulo 4

Ema acordou no meio da floresta com o pijama manchado de sangue.

-Como vim aqui parar? – interrogou-se confusa, olhando a sua volta.

Depois de encontrar o caminho de volta para a cidade, Ema regressou casa. Ainda bem que era uma cidade pequena e quase não havia ninguém nas ruas para ver o estado em que ela se encontrava. Descalça, com o rosto sujo de terra e o pijama manchado de sangue, sem fazer a ideia a quem pertencia.

Ao chegar a casa, a porta da rua estava aberta e Dinis encontrava-se na sala acompanhado por um polícia.

-Ema! Estava preocupado. Acordei durante a noite e não te vi! – disse Dinis nervoso com uma expressão preocupada no olhar.

-Tive um ataque de sonambulismo. – respondeu Ema de forma natural.

-Você fez-me vir até aqui, perder o meu tempo e a sua amiga é apenas sonâmbula! – disse o polícia irritado. – Francamente a polícia tem assuntos mais urgentes para se preocupar!

O polícia enervado acabou por ir embora de casa.

Dinis confuso olhou para Ema.

-Como assim tiveste um ataque de sonambulismo?

-Apenas tive. – respondeu Ema, encolhendo os ombros.

-Mas desde quando tu és sonâmbula?

-Sei lá, Dinis! Eu também estou tão confusa como tu! – disse rapidamente Ema, exaltando-se um pouco.

De repente Dinis reparou no sangue no pijama de Ema.

-Isso é sangue?

-Acho que é. – respondeu Ema, olhando para a camisola manchada de sangue. – Mas não me perguntes como veio cá parar, porque não sei!

-Se calhar magoaste-te. – disse Dinis aproximando-se dela. – Deixa ver.

-Não. Eu estou bem. Sem nenhum ferimento. – falou rapidamente Ema, afastando-se de Dinis. – Devo ter tocado nalgum animal morto, já que acordei no meio da floresta.

-Provavelmente. –respondeu Dinis com uma expressão pensativa, nada convencida.

-Bem, vou tomar um banho. – disse a seguir Ema, abandonando a sala.

XXX

Depois de tomar banho e vestir roupas lavadas, Ema regressou a sala.

Dinis tinha preparado duas chávenas de café. Uma para ele e outra para Ema.

Ema agarra na sua chávena e senta-se no sofá ao lado de Dinis.

-Como, te sentes? – perguntou Dinis, olhando para Ema.

-Bem.

Os dois dão um gole nos cafés e seguem-se uns segundos de silêncio.

- A pouco o que aquele polícia queria dizer com: “ a polícia tem assuntos mais urgentes para se preocupar?” – perguntou por fim Ema, olhando para Dinis.

-Esta manhã, foi encontrado um rapaz morto na floresta. Os rumores dizem que ele foi completamente desmembrado.

Ema ficou misteriosamente séria.

Dinis olhou para ela.

-Ema tu não estas a pensar…

Ema levantou-se repentinamente do sofá.

-Ema?!

Dinis levantou-se também.

-Tenho que ir.

Com uma expressão sombria no olhar, Ema saiu de casa.

XXX

-Tu estas a dizer que matas-te aquele rapaz?

Dr. Baltasar olhou confuso para Ema.

-Sim. É exatamente isso que eu estou a dizer! – respondeu Ema nervosa.

-E porque dizes isso, Ema?

-Porque, eu ontem a noite tive um ataque de sonambulismo e acordei na floresta com o pijama manchado de sangue. O mesmo local onde foi encontrado o rapaz morto!

-Isso não prova nada, Ema!

-Prova tudo! – exclamou Ema alterada, subindo o tom de voz. – Eu matei aquele rapaz! Eu sinto que é verdade. Por isso tem que me internar.

-Eu não te vou internar. – disse  Dr. Baltasar, abanando a cabeça.

Ema violentamente derrubou tudo que estava em cima da secretária.

-Agora vai-me internar ou preciso partir mais alguma coisa?

Dr. Baltasar agarrou no telemóvel e faz uma chamada.

-Bom dia. Daqui fala o Dr. Baltasar Nunes, queria prosseguir com um internamento… a paciente chama-se Ema Chagas. – disse Dr. Baltasar enquanto olhava seriamente para Ema.

bom mais um capítulo. Agora Ema vai ser internada. O que acham que vai acontecer?

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publicado às 10:52



Caindo das Estrelas

"Caindo das Estrelas" é o meu primeiro livro. Quem estiver interessado e quiser ler passe no site artelogy.com Obrigada